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CID Neurológico para BPC: Lista Completa (G00-G99)

Atualizado em 22 de maio de 2026
11 min de leitura
Neurologista mostra imagem de ressonância magnética cerebral a paciente em consultório.
CIDs G00 a G99 cobrem doenças neurológicas elegíveis ao BPC — CID-10 OMS e Lei 8.742/1993, art. 20. Fonte: INSS — Cartilha BPC 2024.

Sim, doenças neurológicas como Alzheimer (G30), Parkinson (G20), esclerose múltipla (G35), paralisia cerebral (G80) e ELA (G12.2) podem dar direito ao BPC de R$ 1.621 mensais. O que conta para o INSS não é apenas o CID, mas o impedimento funcional de longo prazo (mínimo 2 anos) avaliado pelo IFBrA — documentado por neurologista com base em exames de imagem (RM, TC), eletroencefalograma (EEG) e eletroneuromiografia (ENMG).

Sobre este artigo

Este artigo lista os CIDs neurológicos (G00-G99) aceitos para BPC e os correlatos F70-F89 (transtornos do desenvolvimento) que tocam a neurologia infantil. Para uma doença específica, veja Alzheimer (G30), Parkinson (G20), esclerose múltipla (G35) ou epilepsia (G40). Para CIDs psiquiátricos puros (F00-F69), veja a lista de CIDs psiquiátricos para BPC.

Como o INSS organiza CIDs neurológicos para BPC

Os CIDs neurológicos estão no Capítulo VI da CID-10 (G00-G99) — doenças do sistema nervoso. A categoria reúne desde infecções (meningites, encefalites) até doenças degenerativas crônicas como Alzheimer e Parkinson. O INSS aplica os mesmos três critérios cumulativos da Lei 8.742/1993 (LOAS), art. 20:

  • Impedimento de longo prazo (≥ 2 anos, art. 20, § 2º da LOAS)
  • Barreiras à participação plena (mobilidade, comunicação, cognição)
  • Renda familiar per capita até 1/4 do salário mínimo (até 1/2 com a Lei 14.176/2021)

O critério de renda ampliado vem da Lei 14.176/2021, que permite considerar gastos com saúde e medicamentos para chegar até 1/2 do salário mínimo per capita. A revisão a cada 2 anos é prevista no Decreto 6.214/2007 (art. 42).

Diferentemente das doenças oftalmológicas, em que os parâmetros são acuidade e campo visual, as doenças neurológicas exigem avaliação multidimensional: cognição, motricidade, sensibilidade, autonomia e episódios críticos (crises, surtos). O laudo do neurologista é central.

Os grupos de CIDs G aceitos (G00-G99)

O Capítulo VI da CID-10 é organizado em blocos por etiologia ou estrutura afetada:

CódigoBlocoExemplos relevantes para BPC
G00-G09Doenças inflamatórias do SNCMeningites e encefalites com sequela (G09)
G10-G14Atrofias sistêmicas que afetam o SNCDoença de Huntington (G10), ELA (G12.2), atrofia espinhal (G12.0)
G20-G26Distúrbios extrapiramidais e dos movimentosParkinson (G20), parkinsonismo secundário (G21), distonias (G24)
G30-G32Doenças degenerativas do SNCAlzheimer (G30), degeneração frontotemporal (G31.0)
G35-G37Doenças desmielinizantesEsclerose múltipla (G35), neuromielite óptica (G36.0)
G40-G47Transtornos episódicos e paroxísticosEpilepsia (G40), estado de mal epiléptico (G41), cefaleias crônicas (G43-G44)
G50-G59Transtornos dos nervos e plexosNeuralgia do trigêmeo (G50.0), neuropatia diabética (G63.2*)
G60-G64PolineuropatiasGuillain-Barré (G61.0), polineuropatia diabética, hereditária
G70-G73Doenças da junção mioneural e dos músculosMiastenia gravis (G70.0), distrofias musculares
G80-G83Paralisias cerebrais e outras síndromes paralíticasParalisia cerebral (G80), hemiplegia (G81), paraplegia/tetraplegia (G82)
G90-G99Outros transtornos do sistema nervosoHidrocefalia (G91), encefalopatia (G93.4)

Fronteira com psiquiátrico: F70-F89 entram em neurológico?

Há uma fronteira sutil entre neurológico (G00-G99) e psiquiátrico (F00-F99). Para fins de BPC, parte do bloco F costuma ser avaliada do ponto de vista neurológico:

  • F70-F79: Retardo mental / deficiência intelectual — frequentemente associada a CIDs G (paralisia cerebral, encefalopatias congênitas)
  • F80-F89: Transtornos do desenvolvimento psicológico — incluem F80 (linguagem), F81 (habilidades escolares), F84 (transtornos globais, como TEA)

Regra prática

Não se preocupe em acertar a especialidade exata do CID. O INSS olha funcionalidade, não etiqueta diagnóstica. Apresente laudos das duas especialidades quando aplicável (neuropediatra + psiquiatra para crianças com TEA, por exemplo).

Para CIDs psiquiátricos puros (F00-F69 — esquizofrenia, transtornos do humor, transtornos de personalidade), veja a lista de CIDs psiquiátricos para BPC.

CIDs degenerativos: G20, G30, G35 e correlatos

As doenças neurodegenerativas representam o grupo mais frequente em concessões de BPC para deficiência neurológica:

Doença de Parkinson (G20)

  • Critério funcional: rigidez, bradicinesia, tremor de repouso, instabilidade postural
  • Escalas auxiliares: Hoehn & Yahr, UPDRS
  • BPC tipicamente concedido a partir do estágio 3 de Hoehn & Yahr

Alzheimer (G30) e demências (F00-F03)

  • G30 — etiologia neurológica; F00 — manifestação cognitiva (Alzheimer)
  • Critério funcional: declínio cognitivo + perda de autonomia para atividades instrumentais e básicas
  • Escalas auxiliares: CDR (Clinical Dementia Rating), MEEM, ADL/IADL

Esclerose Múltipla (G35)

  • Forma recorrente-remitente (mais comum) e primariamente progressiva (G35.2)
  • Sequelas: ataxia, espasticidade, neurite óptica, fadiga, disfunção esfincteriana
  • Escala auxiliar: EDSS (Expanded Disability Status Scale)

ELA — Esclerose Lateral Amiotrófica (G12.2)

  • Doença com tramitação prioritária no INSS
  • Critério funcional: fraqueza progressiva, atrofia, espasticidade, eventual comprometimento bulbar
  • Não exige carência; BPC pode ser solicitado desde o diagnóstico

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CIDs epilépticos: G40 e G41

A epilepsia (G40) é um dos CIDs mais consultados, mas o deferimento depende fortemente do controle clínico. Subdivisões relevantes:

  • G40.0: Epilepsia idiopática localizada (focal) com crises de início focal
  • G40.1: Epilepsia sintomática localizada com crises parciais simples
  • G40.2: Epilepsia sintomática localizada com crises parciais complexas
  • G40.3: Epilepsia idiopática generalizada
  • G40.4: Outras epilepsias generalizadas (refratárias)
  • G40.5: Síndromes epilépticas especiais
  • G40.6: Crises do grande mal não especificadas (com ou sem pequeno mal)
  • G41.0-G41.9: Estado de mal epiléptico

Quando o BPC tende a ser concedido

Epilepsia refratária (G40.3, G40.4) com crises frequentes apesar de 2+ esquemas medicamentosos, especialmente quando acompanhada de déficit cognitivo, alterações de comportamento ou risco de morte súbita, costuma atender ao critério de impedimento de longo prazo.

CIDs perinatais: paralisia cerebral (G80) e hidrocefalia (G91)

Condições neurológicas de início perinatal ou infantil tendem a ter elegibilidade clara para BPC, dado que o impedimento é geralmente permanente:

  • G80.0: Paralisia cerebral espástica quadriplégica
  • G80.1: Paralisia cerebral espástica diplégica
  • G80.2: Paralisia cerebral hemiplégica
  • G80.3: Paralisia cerebral discinética
  • G80.4: Paralisia cerebral atáxica
  • G80.8/G80.9: Outras paralisias cerebrais infantis
  • G91.0: Hidrocefalia comunicante
  • G91.1: Hidrocefalia obstrutiva
  • G91.3: Hidrocefalia pós-traumática não especificada
  • G93.4: Encefalopatia não especificada (sequela de hipóxia perinatal)

Polineuropatias e doenças do neurônio motor

Doenças que afetam os nervos periféricos e o neurônio motor também integram o cluster G:

  • G12.0: Atrofia muscular espinhal infantil (Werdnig-Hoffmann)
  • G12.1: Outras atrofias musculares espinhais (Kugelberg-Welander)
  • G12.2: ELA — Esclerose Lateral Amiotrófica
  • G60.0: Neuropatia hereditária motora e sensorial (Charcot-Marie-Tooth)
  • G61.0: Síndrome de Guillain-Barré
  • G61.8: Outras polineuropatias inflamatórias (CIDP)
  • G62.0: Polineuropatia induzida por drogas
  • G63.2*: Polineuropatia diabética (cruzada com E10/E11)
  • G70.0: Miastenia gravis
  • G71.0-G71.9: Distrofias musculares primárias (Duchenne, Becker)

Documentação neurológica necessária

Para a perícia médica do BPC, organize:

Laudo do neurologista

  • Identificação do médico (CRM)
  • CID-10 principal + CIDs secundários (sequelas, comorbidades)
  • Histórico clínico, evolução, surtos/crises documentados
  • Tratamentos realizados e resposta
  • Prognóstico de longo prazo (≥ 2 anos)
  • Limitações funcionais explícitas (motoras, cognitivas, autonomia)

Exames complementares

  • Ressonância magnética cerebral / medular — Alzheimer, esclerose múltipla, AVC, tumores
  • Tomografia computadorizada — hemorragias, hidrocefalia, lesões expansivas
  • Eletroencefalograma (EEG) — epilepsias e estados de mal epiléptico
  • Eletroneuromiografia (ENMG) — polineuropatias, miopatias, ELA
  • LCR (líquor) — esclerose múltipla, infecções, Guillain-Barré
  • Testes neuropsicológicos — Alzheimer, demências, deficiência intelectual
  • Escalas funcionais — Hoehn & Yahr, EDSS, CDR, MEEM, ALSFRS-R

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Como o IFBrA avalia limitação funcional neurológica

O Índice de Funcionalidade Brasileiro Aplicado (Portaria Conjunta INSS/MDS nº 1/2014, detalhado na Cartilha BPC Oficial (INSS, 2024)) pontua, em casos neurológicos, os seguintes domínios:

  • Sensorial — visão, audição, sensibilidade tátil/proprioceptiva (atinge condições como esclerose múltipla, neuropatias diabéticas)
  • Comunicação — fala, leitura, escrita (relevante em AVC, demências, distúrbios cognitivos)
  • Mobilidade — deslocamento, escadas, transferências (Parkinson, paralisia cerebral, distrofias)
  • Cuidados pessoais — banho, vestir-se, alimentar-se
  • Vida doméstica — preparar refeições, cuidar da casa
  • Educação, trabalho e vida econômica — escolarização adaptada, trabalho protegido, manuseio de dinheiro
  • Socialização e vida comunitária — interações sociais, lazer, participação em atividades cívicas

A pontuação combinada determina o grau de impedimento. Em doenças degenerativas progressivas, mesmo pontuações intermediárias hoje podem evoluir para grave — daí a importância de documentar a trajetória ao longo do tempo.

Próximos passos

  • Atualize o CadÚnico com renda familiar correta
  • Reúna laudos neurológicos e exames dos últimos 24 meses
  • Inclua escalas funcionais aplicáveis (CDR, EDSS, Hoehn & Yahr)
  • Solicite o BPC pelo Meu INSS ou telefone 135
  • Compareça às avaliações médica (perícia) e social (assistente social)
  • Aguarde a decisão (em geral 30-90 dias; ELA e doenças prioritárias podem ter trâmite mais rápido)

Para detalhes do passo a passo do requerimento, consulte o portal oficial do INSS sobre BPC e nosso guia de como solicitar o BPC. Para entender o instrumento avaliativo, veja o que é IFBrA e como funciona a avaliação biopsicossocial.

— conteúdo revisado conforme Lei 8.742/1993, Lei 13.146/2015, Decreto 6.214/2007, Lei 14.176/2021 e Portaria Conjunta INSS/MDS nº 1/2014 (IFBrA).

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❓ Perguntas Frequentes

Cefaleia crônica e enxaqueca incapacitante (G43-G44) dão direito ao BPC?

Geralmente não isoladamente. A enxaqueca crônica (G43.3) e a cefaleia em salvas (G44.0) raramente atendem ao critério de impedimento de longo prazo do BPC, pois costumam ter períodos sem crises. Casos refratários a múltiplos tratamentos, com incapacidade documentada por 2+ anos e impacto comprovado em atividades diárias, podem ser avaliados — mas o ônus probatório é alto.

Epilepsia controlada com medicação ainda dá direito ao BPC?

Pouco provável. Quando as crises estão controladas por anticonvulsivantes e a pessoa mantém capacidade funcional, o IFBrA tende a indicar ausência de impedimento de longo prazo. Já epilepsia refratária (CID G40.3, G40.4), com crises frequentes, déficit cognitivo associado ou efeitos colaterais incapacitantes, pode ser elegível.

CID G80 (paralisia cerebral) é vitalício no BPC?

A paralisia cerebral é condição permanente, então o BPC pode ser concedido sem prazo, mas a revisão a cada 2 anos prevista no Decreto 6.214/2007 (art. 42) continua valendo. Como a condição é estável ou progressiva, basta apresentar laudo atualizado na revisão — não há expectativa de cessação do benefício se a renda familiar continuar dentro do limite.

Esclerose Múltipla em surto vs remissão: como o INSS avalia?

O INSS avalia a funcionalidade média ao longo do tempo, não o momento da perícia. A esclerose múltipla (G35) recorrente-remitente em remissão pode parecer estável, mas o histórico de surtos com sequelas neurológicas permanentes (espasticidade, ataxia, neurite óptica) sustenta a tese de impedimento de longo prazo. Apresente relatórios neurológicos cobrindo pelo menos 2 anos.

CID F81 (transtornos do desenvolvimento) entra em neurológico?

Geralmente sim, do ponto de vista funcional. CIDs F80-F89 (transtornos do desenvolvimento psicológico) — incluindo F81 (transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares) — costumam ser avaliados na interface neurológico-psiquiátrica. Para o BPC, o que importa é o impedimento funcional documentado, não a especialidade do CID.

Sequela de AVC: CID I64 (vascular) ou G81 (hemiplegia)?

Os dois CIDs podem coexistir. I64 é o CID do evento vascular (AVC não especificado como hemorragia ou infarto); G81 classifica a sequela motora (hemiplegia). No laudo, o neurologista pode citar ambos: I64 como causa e G81 (ou G82 paraplegia, G83 tetraplegia) como classificador funcional. O INSS olha principalmente a sequela funcional.

Doença de Alzheimer estágio inicial dá direito ao BPC?

Depende da preservação funcional. Alzheimer (G30) em estágio inicial leve, com a pessoa ainda autônoma para atividades cotidianas, raramente atende ao critério funcional do BPC. Em estágios moderado a avançado (CDR 2-3, com dependência para atividades instrumentais ou básicas), o impedimento de longo prazo costuma ser reconhecido.

ELA (G12.2) tem prioridade na perícia?

Sim. A Esclerose Lateral Amiotrófica (CID G12.2) está incluída no rol de doenças que dispensam carência e têm tramitação prioritária no INSS (Portaria Interministerial MPS/MS 2.998/2001). Para o BPC, a urgência reconhecida pela legislação facilita o agendamento da perícia e a análise documental.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

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