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Epilepsia Dá Direito ao BPC? Entenda os Critérios

Atualizado em 21 de janeiro de 2026
5 min de leitura
BPC epilepsia CID G40 convulsão benefício INSS 2026

Orientação sobre BPC para pessoas com epilepsia

Uma das dúvidas mais frequentes entre pessoas diagnosticadas com doenças neurológicas é se a epilepsia dá direito ao BPC. A resposta é sim, pode dar direito. Pessoas com epilepsia (CID G40) podem receber o Benefício de Prestação Continuada de R$ 1.621 mensais se as crises convulsivas causarem impedimentos de longo prazo que limitem a participação plena na sociedade e a renda familiar per capita for de até 1/4 do salário mínimo (R$ 405,25 em 2026).

A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por crises convulsivas recorrentes, causadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Quando essas crises são frequentes, graves ou não respondem adequadamente ao tratamento medicamentoso, a condição pode ser reconhecida como deficiência para fins do BPC.

📋 Critérios para aprovação do BPC por epilepsia

Para que a epilepsia garanta direito ao BPC, é necessário atender a dois critérios principais:

1. Critério de deficiência

A epilepsia deve causar impedimentos de longo prazo (mínimo de 2 anos ou de caráter permanente) que, em interação com barreiras sociais, limitem a participação plena na sociedade. O INSS avalia:

  • Frequência e gravidade das crises convulsivas
  • Tipo de epilepsia (focal, generalizada, refratária)
  • Resposta ao tratamento medicamentoso
  • Impossibilidade de exercer atividades laborais com segurança
  • Risco de acidentes durante as crises

2. Critério de renda

  • Regra geral: Renda familiar per capita de até 1/4 do salário mínimo (R$ 405,25 em 2026)
  • Flexibilização (Lei 14.176/2021): Em casos de maior vulnerabilidade, é possível a concessão com renda de até 1/2 do salário mínimo (R$ 810,50), especialmente quando há gastos elevados com medicamentos anticonvulsivantes

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Outros requisitos

  • Estar inscrito e atualizado no CadÚnico
  • Não receber outro benefício previdenciário ou assistencial
  • Ser brasileiro ou estrangeiro com residência fixa no Brasil

🏥 CIDs de epilepsia aceitos para o BPC

Os seguintes códigos CID-10 relacionados à epilepsia podem dar direito ao BPC, dependendo da gravidade:

CID G40 - Epilepsia

  • G40.0 - Epilepsia idiopática focal com crises de início localizado
  • G40.1 - Epilepsia sintomática focal com crises parciais simples
  • G40.2 - Epilepsia sintomática focal com crises parciais complexas
  • G40.3 - Epilepsia generalizada idiopática
  • G40.4 - Outras epilepsias generalizadas
  • G40.5 - Síndromes epilépticas especiais (Síndrome de Lennox-Gastaut, Síndrome de West)
  • G40.6 - Crises de grande mal não especificadas
  • G40.7 - Pequeno mal não especificado
  • G40.8 - Outras epilepsias
  • G40.9 - Epilepsia não especificada

Outros CIDs relacionados

  • G41 - Estado de mal epiléptico
  • R56.8 - Outras convulsões e as não especificadas

⚠️ Importante

O CID por si só não garante o benefício. Epilepsias bem controladas com medicação raramente são aprovadas. O foco da avaliação é nas limitações funcionais causadas pelas crises, não apenas no diagnóstico.

💬 Tem dúvidas se você se encaixa nos requisitos?

Nosso canal está aberto para esclarecer suas dúvidas sobre este benefício.

🔍 A avaliação do INSS para epilepsia

O INSS realiza uma avaliação biopsicossocial composta por duas etapas que analisam tanto os aspectos médicos quanto sociais:

Avaliação médica (perícia)

O perito médico analisa laudos neurológicos, exames (eletroencefalograma, ressonância), histórico de crises e medicamentos em uso. São considerados fatores como:

  • Frequência das crises (quantas por mês/semana)
  • Tipo e duração das crises convulsivas
  • Resposta aos medicamentos anticonvulsivantes
  • Se a epilepsia é refratária (resistente ao tratamento)
  • Histórico de internações por crises
  • Risco de acidentes no trabalho ou atividades diárias
  • Sequelas cognitivas ou comportamentais

Avaliação social

O assistente social verifica as condições socioeconômicas da família, composição familiar, moradia e acesso a tratamento neurológico. Essa avaliação é feita com base nos dados do CadÚnico.

💡 Epilepsia refratária

A epilepsia refratária (que não responde a 2 ou mais medicamentos) tem maior chance de aprovação no BPC, pois demonstra claramente a limitação funcional mesmo com tratamento adequado.

📄 Documentos necessários para solicitar o BPC

Para aumentar as chances de aprovação, reúna a documentação mais completa possível:

Documentos pessoais

  • RG e CPF
  • Comprovante de residência atualizado
  • Número do NIS (CadÚnico)

Documentos médicos

  • Laudo neurológico detalhado com CID G40 e subtipo
  • Eletroencefalograma (EEG) recente mostrando atividade epiléptica
  • Ressonância magnética do crânio (se disponível)
  • Diário de crises com datas, tipos e duração das crises
  • Receitas de medicamentos anticonvulsivantes em uso
  • Histórico de tratamentos e medicamentos já tentados
  • Relatórios de internações por crises convulsivas

Comprovação de renda

  • Comprovantes de renda de todos os membros da família
  • Declaração de que não exerce atividade remunerada (se for o caso)
  • Notas fiscais de medicamentos (para comprovar gastos elevados)

✅ Dica importante

Mantenha um diário de crises anotando data, hora, tipo de crise e duração. Esse documento é muito valorizado na perícia para demonstrar a frequência real das crises. Confira nosso guia de preparação para perícia.

🚀 Como solicitar o BPC por epilepsia

O pedido pode ser feito de três formas:

1. Pelo Meu INSS (site ou app)

  • 1.
    Acesse meu.inss.gov.br ou baixe o aplicativo
  • 2.
    Faça login com sua conta Gov.br
  • 3.
    Clique em "Novo Pedido" e selecione "Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência"
  • 4.
    Anexe todos os documentos médicos e acompanhe o andamento

2. Pelo telefone 135

Ligue de segunda a sábado, das 7h às 22h. Tenha em mãos CPF e dados pessoais. Este canal é útil para quem tem dificuldade com tecnologia.

3. Presencialmente

Agende atendimento pelo Meu INSS ou 135 e compareça à agência na data marcada com todos os documentos originais.

⚠️ Atenção na perícia

Na perícia, descreva detalhadamente como as crises afetam sua vida: impossibilidade de dirigir, riscos no trabalho, necessidade de acompanhamento, limitações nas atividades diárias. Leve o diário de crises e todos os exames.

💬 Tem dúvidas se você se encaixa nos requisitos?

Nosso canal está aberto para esclarecer suas dúvidas sobre este benefício.

❓ Perguntas Frequentes

Epilepsia é considerada deficiência para o BPC?

Sim, a epilepsia pode ser considerada deficiência para fins do BPC quando causa impedimentos de longo prazo que limitam a participação plena na sociedade. A avaliação biopsicossocial do INSS analisa a frequência das crises, resposta ao tratamento e como a condição afeta o trabalho e a vida diária.

Qual CID de epilepsia dá direito ao BPC?

O CID G40 (epilepsia) e seus subtipos (G40.0 a G40.9) podem dar direito ao BPC. Também são aceitos os CIDs G41 (estado de mal epiléptico) e G40.5 (síndromes epilépticas especiais). Porém, o código CID por si só não garante o benefício — é necessário que a condição cause limitações significativas.

Quem tem epilepsia controlada com medicamentos tem direito ao BPC?

Depende. Se os medicamentos controlam completamente as crises a ponto de permitir uma vida normal e trabalho regular, o BPC pode ser negado. O benefício é destinado a casos de epilepsia refratária ou quando, mesmo com tratamento, persistem crises frequentes que impedem atividades laborais.

Criança com epilepsia tem direito ao BPC?

Sim, crianças com epilepsia podem ter direito ao BPC se a condição causar impedimentos de longo prazo e a família atender ao critério de renda. A avaliação considera como as crises afetam o desenvolvimento, a vida escolar e a necessidade de cuidados especiais.

O BPC por epilepsia pode ser cortado?

Sim. O BPC é revisado periodicamente a cada 2 anos. Se a avaliação indicar controle das crises ou melhora significativa, ou se a renda familiar ultrapassar o limite, o benefício pode ser suspenso. Mantenha o CadÚnico atualizado e compareça às revisões.

Meu pedido de BPC por epilepsia foi negado. O que fazer?

Você pode recorrer administrativamente pelo Meu INSS em até 30 dias após a decisão. É importante apresentar documentação médica detalhada com frequência das crises, medicamentos em uso e laudos de neurologista. Se o recurso for negado, busque a Defensoria Pública ou advogado especializado.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

Importante: Sempre consulte as fontes oficiais mais recentes, pois as normas podem ser atualizadas. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui orientação jurídica especializada.

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