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CID Oftalmológico para BPC: Lista Completa (H00-H59)

Atualizado em 22 de maio de 2026
10 min de leitura
Oftalmologista realiza exame de campo visual em paciente para avaliação de deficiência visual.
CIDs H00 a H59 cobrem doenças oftalmológicas elegíveis ao BPC — CID-10 OMS, Lei 14.126/2021 e Súmula 377 do STJ. Fonte: INSS — Cartilha BPC 2024.

Sim, doenças oftalmológicas como retinose pigmentar (H35.5), glaucoma avançado (H40), cegueira (H54) e baixa visão severa podem dar direito ao BPC de R$ 1.621 mensais — desde que cumpram os critérios de impedimento de longo prazo (mínimo 2 anos) avaliados pelo IFBrA (Índice de Funcionalidade Brasileiro Aplicado). O que define a elegibilidade não é o CID isolado, mas o impacto funcional documentado em acuidade visual e campo visual.

Sobre este artigo

Este artigo lista os CIDs oftalmológicos (H00-H59) aceitos para BPC e como o INSS avalia cada categoria por critério funcional. Se você procura informações sobre uma condição específica, veja retinose pigmentar (H35.5), glaucoma (H40) ou cegueira em geral (H54). Para a lista geral de CIDs aceitos no BPC, veja a lista de CIDs por área.

Como o INSS classifica CIDs oftalmológicos para BPC

O INSS não tem uma lista oficial fixa de CIDs aceitos. Em vez disso, aplica três critérios cumulativos previstos na Lei 8.742/1993 (LOAS), art. 20 e no Decreto 6.214/2007:

  • Impedimento de longo prazo — a condição visual deve durar pelo menos 2 anos (art. 20, § 2º da LOAS)
  • Barreiras — a perda visual deve gerar restrições à participação plena na sociedade (escolarização, trabalho, mobilidade)
  • Renda familiar — per capita até 1/4 do salário mínimo (até 1/2 com flexibilização da Lei 14.176/2021)

Os CIDs oftalmológicos estão no Capítulo VII da CID-10 (H00-H59) — doenças do olho e anexos. O grupo H54 (cegueira e baixa visão) é o classificador final usado pelo INSS para deficiência visual, mas o CID etiológico (causa) também é considerado: por exemplo, glaucoma terminal recebe H40 + H54.0.

Os 6 grupos de CIDs oftalmológicos aceitos (H00-H59)

O Capítulo VII da CID-10 organiza as doenças oculares em blocos por estrutura anatômica:

CódigoEstrutura/CategoriaExemplos relevantes para BPC
H00-H06Pálpebras, aparelho lacrimal, órbitaRaramente isolados configuram BPC
H10-H13ConjuntivaTracoma cicatricial (H13.1*)
H15-H22Esclera, córnea, íris, corpo ciliarCeratocone avançado (H18.6), uveítes crônicas (H20)
H25-H28CristalinoCatarata congênita não operável (H26.0)
H30-H36Coroide e retinaRetinose pigmentar (H35.5), retinopatia diabética (H36*, E10/E11), DMRI (H35.3)
H40-H42GlaucomaGlaucoma de ângulo aberto (H40.1), terminal (H40.5)
H43-H45Corpo vítreo, globo ocularHemorragia vítrea recorrente, atrofia ocular
H46-H48Nervo óptico, vias ópticasAtrofia óptica (H47.2), neurite óptica
H49-H52Músculos oculares, refraçãoGeralmente não isolados
H53Distúrbios visuaisDiplopia, escotomas (sintomas, não CIDs definitivos)
H54Cegueira e baixa visãoClassificador final do INSS — H54.0 a H54.9
H55-H59Outras afecçõesComplicações pós-cirúrgicas, sequelas

Importante

Para o BPC, o que conta não é o CID em si, mas se a doença produz impedimento funcional duradouro — pessoas com mesmo CID podem ter avaliações IFBrA diferentes conforme a gravidade e o tempo de evolução.

Critérios funcionais: acuidade visual e campo visual

A Lei 14.126/2021 consolidou os parâmetros de cegueira e baixa visão para fins previdenciários e assistenciais. O INSS usa esses parâmetros combinados com o IFBrA:

Acuidade visual (Snellen ou logMAR)

  • Cegueira total: ausência de percepção luminosa em ambos os olhos
  • Cegueira legal: acuidade igual ou inferior a 0,05 (20/400) no melhor olho com correção
  • Baixa visão grave: acuidade entre 0,05 e 0,3 (20/60 a 20/400) no melhor olho com correção
  • Baixa visão moderada: acuidade entre 0,3 e 0,5 (20/40 a 20/60) — usualmente não isoladamente

Campo visual

  • Campo visual concêntrico: inferior a 10° no melhor olho — equivalente a cegueira legal por restrição perimétrica
  • Hemianopsia homônima: perda de metade do campo nos dois olhos (pode ser cegueira legal)
  • Escotomas centrais bilaterais: perda da visão central útil

Critério prático

Você pode ter direito ao BPC se cumprir qualquer um desses critérios funcionais associado a um CID etiológico, com evolução documentada de pelo menos 2 anos e renda familiar dentro do limite.

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CIDs aceitos por grupo: tabela H10-H59

Conjuntiva, córnea e cristalino (H10-H28)

  • H16.1: Outras ceratites superficiais sem conjuntivite (sequelares graves)
  • H17.0-H17.9: Cicatrizes e opacidades corneanas (causa frequente de baixa visão)
  • H18.6: Ceratocone (estágios avançados IV-V)
  • H20.0-H20.9: Uveítes (anteriores, intermediárias, posteriores) crônicas
  • H26.0-H26.9: Cataratas (congênita, traumática, induzida por medicamento)
  • H27.0: Afacia (perda do cristalino)

Coroide e retina (H30-H36)

  • H33.0-H33.5: Descolamento de retina (retinose com sequela)
  • H34.0-H34.9: Oclusão vascular retiniana (artéria/veia central)
  • H35.0: Retinopatias secundárias (hipertensiva, hemorrágica)
  • H35.1: Retinopatia da prematuridade (em crianças)
  • H35.2: Outras retinopatias proliferativas
  • H35.3: Degeneração macular relacionada à idade (DMRI)
  • H35.5: Distrofias retinianas hereditárias (retinose pigmentar)
  • H35.6: Hemorragia retiniana
  • H36.0: Retinopatia diabética (combinada com E10/E11)

Glaucoma, nervo óptico e cegueira (H40-H54)

  • H40.1: Glaucoma primário de ângulo aberto
  • H40.2: Glaucoma primário de ângulo fechado
  • H40.3-H40.5: Glaucoma secundário, congênito, terminal
  • H42.0/H42.8: Glaucoma em outras doenças classificadas
  • H46: Neurite óptica (sequelas)
  • H47.2: Atrofia óptica
  • H53.0: Ambliopia ex anopsia
  • H53.4: Defeitos do campo visual (escotomas, hemianopsias)
  • H54.0: Cegueira binocular
  • H54.1: Cegueira em um olho, baixa visão no outro
  • H54.2: Baixa visão binocular
  • H54.4: Cegueira em um olho (monocular)
  • H54.5: Baixa visão monocular
  • H54.9: Perda visual não especificada

Visão monocular: a Súmula 377 do STJ

A Súmula 377 do Superior Tribunal de Justiça estabelece: O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos deficientes.

Embora a súmula trate especificamente de concursos públicos, o raciocínio jurídico foi estendido pela jurisprudência para outros direitos da pessoa com deficiência, incluindo previdenciários e assistenciais. Combinada com a Lei 14.126/2021, a visão monocular é hoje deficiência sensorial reconhecida em sentido amplo.

Como o IFBrA avalia deficiência visual

O Índice de Funcionalidade Brasileiro Aplicado (IFBrA) é o instrumento técnico usado pelo INSS desde 2014 (Portaria Conjunta INSS/MDS nº 1/2014, detalhado na Cartilha BPC Oficial (INSS, 2024)) para mensurar o impacto da deficiência. Para deficiência visual, o IFBrA pontua:

  • Domínio Sensorial — quanto a perda visual limita atividades cotidianas (leitura, reconhecimento de pessoas, locomoção)
  • Domínio Mobilidade — uso de bengala, dependência de guia, restrição de deslocamento
  • Domínio Atividades Domésticas — preparo de alimentos, cuidado pessoal, manuseio de dinheiro
  • Domínio Vida Social, Educacional e Laboral — escolarização adaptada, acesso ao trabalho, participação em atividades públicas

A pontuação total define o grau de impedimento. Impedimento de longo prazo se confirma quando a perda funcional persiste por pelo menos 2 anos — daí a importância de laudos médicos consecutivos demonstrando a cronicidade.

Documentos oftalmológicos necessários

Para sustentar o requerimento de BPC com base em CID oftalmológico, organize:

Laudo do oftalmologista

  • Identificação do médico (CRM e especialidade)
  • CID-10 principal (etiológico) + CID H54 (classificador funcional)
  • Acuidade visual com correção em cada olho
  • Campo visual (anexar exame perimétrico se houver)
  • Prognóstico explícito de longo prazo (2+ anos)
  • Histórico de tratamentos e resposta clínica

Exames complementares úteis

  • Campimetria computadorizada (Humphrey ou Octopus) — essencial para glaucoma e perdas perimétricas
  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT) — espessura macular e camada de fibras nervosas
  • Eletrorretinograma (ERG) — distrofias retinianas
  • Angiofluoresceinografia — retinopatia diabética, DMRI exsudativa
  • Mapeamento de retina sob midríase — descolamento, hemorragias, lesões periféricas
  • Refração computadorizada e subjetiva — comprovação de acuidade corrigida

Dica prática

Leve todos os exames dos últimos 24 meses — o INSS valoriza cronicidade documentada. Se possível, peça ao oftalmologista que descreva no laudo a relação entre a perda visual e o impacto em atividades cotidianas.

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CIDs frequentemente indeferidos (e como contestar)

Algumas situações oftalmológicas costumam gerar indeferimento na perícia. Conheça os pontos de atenção:

Miopia, hipermetropia, astigmatismo

Erros refrativos puros (H52) não configuram deficiência se corrigíveis com óculos ou lente de contato — exceto se houver acuidade corrigida abaixo dos limites legais.

Catarata operável

Catarata senil ou pré-senil com indicação cirúrgica tende a não dar direito, pois a cirurgia restaura a acuidade. Quando a cirurgia é contraindicada ou houve complicação, o quadro deve ser detalhado no laudo (H26.0 congênita, H26.5 secundária, ou H26.4 pós-cirúrgica com complicação).

Glaucoma compensado

Glaucoma com pressão intraocular controlada e sem perda campimétrica significativa não configura impedimento. Para reverter indeferimento, junte campimetrias seriadas mostrando progressão e laudo do oftalmologista detalhando a perda perimétrica.

Como contestar

  • Solicite cópia do laudo da perícia médica
  • Apresente novo laudo com exames complementares específicos do CID alegado
  • Anexe parecer de oftalmologista detalhando o critério funcional não considerado (acuidade, campo visual, sensibilidade ao contraste)
  • Apresente recurso administrativo no prazo de 30 dias (vide nosso guia abaixo)

Próximos passos

Se você se identifica com algum dos critérios acima e tem um CID oftalmológico documentado, organize o requerimento:

  • Atualize o CadÚnico (renda familiar comprovada e atualizada)
  • Reúna laudo de oftalmologista + exames dos últimos 24 meses
  • Solicite o BPC pelo Meu INSS ou no telefone 135
  • Compareça às avaliações médica (perícia) e social (assistente social)
  • Aguarde a decisão (em geral 30-90 dias)

Para o passo a passo completo, consulte nosso guia de como solicitar o BPC e o guia sobre IFBrA e avaliação biopsicossocial.

— conteúdo revisado conforme Lei 8.742/1993, Lei 14.126/2021, Decreto 6.214/2007, Súmula 377 do STJ e Portaria Conjunta INSS/MDS nº 1/2014 (IFBrA).

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❓ Perguntas Frequentes

Glaucoma sem cegueira total dá direito ao BPC?

Pode dar, desde que o glaucoma (CID H40) já tenha causado perda funcional avaliável — campo visual concêntrico inferior a 10° no melhor olho ou acuidade corrigida abaixo de 0,3. Glaucoma leve ou controlado com colírio, sem perda funcional documentada, geralmente não atende ao critério de impedimento de longo prazo.

Visão monocular é considerada deficiência para BPC?

Sim. A Súmula 377 do STJ e a Lei 14.126/2021 reconhecem a visão monocular como deficiência sensorial. Para BPC, a monocular precisa estar associada a barreiras que comprovem impedimento de longo prazo (mínimo 2 anos) avaliado pelo IFBrA — não basta o CID isolado.

CID H35.5 (retinose pigmentar) é vitalício no BPC?

Geralmente sim, pois a retinose pigmentar é uma distrofia retiniana progressiva e sem cura. O BPC pode ser concedido sem prazo determinado, mas a revisão a cada 2 anos (Decreto 6.214/2007, art. 42) continua valendo — você só precisa apresentar laudo atualizado mostrando manutenção ou piora.

Como provar acuidade visual menor que 0,05 para BPC?

Com laudo de oftalmologista (CRM identificado) detalhando a acuidade corrigida do melhor olho, acompanhado de exames complementares: refração computadorizada, mapeamento de retina, eletrorretinograma quando aplicável, e tomografia de coerência óptica (OCT). O exame de campo visual computadorizado também é decisivo.

Eletrorretinograma é exigido para todo CID H35?

Não é universalmente exigido, mas é altamente recomendado para distrofias retinianas (H35.5 retinose pigmentar, H35.0 retinopatias). Para outras condições do grupo H35 (H35.3 degeneração macular, H35.6 hemorragia retiniana), exames como angiofluoresceinografia e OCT podem ser mais informativos.

CID H54 vai aparecer no Meu INSS quando o BPC for aprovado?

Sim, normalmente o CID H54 (cegueira e baixa visão) é registrado no sistema do INSS quando a perícia conclui pela deficiência visual. Você pode consultar pelo aplicativo Meu INSS em "Histórico de Benefícios" — o CID aparece nos detalhes do BPC concedido.

Crianças com baixa visão entram em qual CID?

Geralmente em H54.1, H54.2 ou H54.5 (baixa visão monocular ou binocular). Para crianças, o IFBrA considera não só a acuidade, mas também o impacto no desenvolvimento — escolarização, aquisição de leitura, mobilidade. Laudo de oftalmopediatra é recomendado.

Ceratocone (H18.6) é aceito para BPC?

Depende da gravidade. Ceratocone leve ou moderado com correção por lente de contato geralmente não configura impedimento. Ceratocone avançado (estágios IV-V), com necessidade de transplante de córnea ou acuidade corrigida abaixo de 0,3 no melhor olho, pode atender ao critério funcional do BPC.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

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