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CID Congênitas para BPC 2026: Lista Completa (Q00-Q99)

Atualizado em 30 de maio de 2026
13 min de leitura
Mãe e filho com malformação congênita no CRAS para pedir BPC criança deficiência 2026
Mãe e filho com malformação congênita no CRAS para solicitar o BPC; CIDs Q00-Q99 (Down, microcefalia, Edwards) podem dar direito ao benefício de R$ 1.621 em 2026 quando há impedimento de longo prazo — Lei 8.742/93. Fonte: gov.br/inss.

O Capítulo XVII da CID-10 (Q00-Q99) reúne as malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas — condições presentes desde o nascimento. Aqui no Nosso Direito mapeamos os 10 grupos de CID congênito mais relevantes para o BPC em 2026 — de Q02 (microcefalia) a Q91 (síndromes de Edwards e Patau) —, todos avaliados pela avaliação biopsicossocial (Lei 13.146/2015, art. 2º). Quando há impedimento de longo prazo (mínimo 2 anos), essas condições podem dar direito ao BPC PCD de R$ 1.621 mensais em 2026 (Lei 8.742/93, art. 20 + Decreto 12.797/2025), desde que a renda per capita familiar seja de até R$ 405,25 (1/4 do salário mínimo) e a família esteja inscrita no CadÚnico (Decreto 11.016/2022). Para ver todos os sistemas, consulte a tabela completa de CIDs que dão direito ao BPC.

A malformação congênita não é critério único para o BPC. Ter um CID do Capítulo Q (como Síndrome de Down, Q90, ou microcefalia, Q02) não garante o benefício — a aprovação depende da avaliação biopsicossocial pelo IFBrA (Lei 13.146/2015, art. 2º), que mede o impedimento de longo prazo (mínimo 2 anos) e as barreiras à participação, além do critério de renda per capita de até R$ 405,25 (Decreto 6.214/2007). Em crianças, a perícia considera o potencial de desenvolvimento conforme a idade. A tabela abaixo lista condições frequentemente avaliadas pelo INSS, não garantias de aprovação. A paralisia cerebral (CID G80), embora comum na infância, pertence ao Capítulo VI (neurológico) — não ao Capítulo Q.

Tabela resumo: CIDs congênitos relevantes para o BPC em 2026

A tabela reúne os códigos do Capítulo XVII da CID-10 (malformações congênitas e anomalias cromossômicas) que mais aparecem em pedidos de BPC — de Q02 (microcefalia) a Q91 (Edwards e Patau) —, com o grupo da CID-10 e a relevância típica na avaliação biopsicossocial. Clique na condição para ver os critérios detalhados.

CIDCondiçãoGrupo CID-10Relevância típica
Q02MicrocefaliaQ00-Q07 (sistema nervoso)Média-Alta (com atraso de desenvolvimento)
Q05Espinha bífidaQ00-Q07 (sistema nervoso)Alta (com déficit motor)
Q20-Q28Cardiopatias congênitasQ20-Q28 (aparelho circulatório)Alta (formas graves)
Q35-Q37Fenda labial / palatinaQ35-Q37 (fenda)Baixa-Média (formas severas)
Q60-Q64Malformações urináriasQ60-Q64 (aparelho urinário)Alta (com insuficiência renal)
Q66Pé torto congênitoQ65-Q79 (osteomuscular)Baixa (isolado e tratado)
Q71-Q73Redução de membrosQ65-Q79 (osteomuscular)Alta (perda funcional)
Q87Síndromes polimalformativasQ80-Q89 (outras)Alta (múltiplos sistemas)
Q90Síndrome de DownQ90-Q99 (cromossômicas)Variável (depende do impedimento)
Q91Edwards (T18) e Patau (T13)Q90-Q99 (cromossômicas)Alta (severidade)

1. Q02 — Microcefalia

A microcefalia (CID Q02) é uma condição em que o perímetro do crânio é menor que o esperado para a idade e o sexo, geralmente associada a alterações no desenvolvimento do cérebro. Pertence ao grupo Q00-Q07 da CID-10 (malformações do sistema nervoso). Pode ter causas genéticas ou ser adquirida na gestação (como na infecção congênita pelo Zika vírus).

Receber o diagnóstico de microcefalia do filho traz muitas dúvidas e medos. Saiba que a microcefalia não dá BPC pelo diagnóstico isolado — o que entra na avaliação biopsicossocial é o grau de comprometimento: atraso motor e cognitivo, epilepsia, necessidade de terapias contínuas (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional) e de cuidador. Quando esses fatores produzem impedimento de longo prazo (mínimo 2 anos), a microcefalia pode configurar deficiência nos termos do Decreto 6.214/2007. Veja os critérios completos de microcefalia e BPC.

2. Q05 — Espinha Bífida

A espinha bífida (CID Q05) é um defeito de fechamento do tubo neural durante a gestação, que pode deixar parte da medula espinhal exposta. Também integra o grupo Q00-Q07. As formas mais graves (mielomeningocele) podem causar paralisia de membros inferiores, alterações urinárias e intestinais (bexiga neurogênica) e hidrocefalia associada.

Quando há comprometimento motor e funcional persistente, a espinha bífida costuma ter alta relevância na comprovação de impedimento de longo prazo na avaliação biopsicossocial (Lei 13.146/2015, art. 2º). A documentação inclui laudo do neuropediatra ou neurocirurgião, exames de imagem e relatórios de fisioterapia e de acompanhamento urológico.

3. Q20-Q28 — Malformações Congênitas do Aparelho Circulatório

As cardiopatias congênitas (CID Q20-Q28) são defeitos estruturais do coração e dos grandes vasos presentes desde o nascimento. Incluem a tetralogia de Fallot (Q21.3), a transposição das grandes artérias (Q20.3) e os defeitos do septo (Q21). Podem causar cianose, insuficiência cardíaca, dificuldade para ganhar peso e necessidade de uma ou mais cirurgias.

As formas leves, corrigidas com sucesso, em geral não configuram deficiência. Já as cardiopatias graves, com múltiplas cirurgias, limitação funcional persistente e dependência de cuidados, podem ser avaliadas para o BPC pelo conjunto das limitações. É necessário laudo do cardiologista pediátrico com ecocardiograma e histórico cirúrgico.

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4. Q35-Q37 — Fenda Labial e Fenda Palatina (Forma Severa)

A fenda labial e a fenda palatina (CID Q35-Q37) — popularmente chamadas de lábio leporino e fenda no céu da boca — são aberturas no lábio e/ou no palato que se formam na gestação. Nas formas extensas, afetam a alimentação, a fala e a audição e exigem múltiplas cirurgias e acompanhamento multidisciplinar ao longo da infância.

Uma fenda isolada e corrigida raramente concede o BPC, porque a maioria das crianças tem boa evolução após o tratamento. O peso na avaliação biopsicossocial está na limitação funcional persistente — dificuldades alimentares graves, dependência de sonda, perda auditiva associada ou quando a fenda faz parte de uma síndrome polimalformativa (ver Q87).

5. Q60-Q64 — Malformações Congênitas do Aparelho Urinário

As malformações urinárias congênitas (CID Q60-Q64) incluem a agenesia renal (ausência de um ou dos dois rins), o rim policístico e a válvula de uretra posterior. Podem comprometer a função dos rins desde cedo e levar à insuficiência renal crônica.

Quando a malformação evolui para insuficiência renal com necessidade de diálise ou transplante, tem alta relevância na comprovação de impedimento de longo prazo nos termos do Decreto 6.214/2007. A documentação inclui laudo do nefrologista, exames de função renal e, quando houver, comprovação do tratamento dialítico.

6. Q66 — Deformidades Congênitas do Pé (Pé Torto Congênito)

O pé torto congênito (CID Q66), ou pé equinovaro, é uma deformidade em que o pé do bebê nasce virado para dentro e para baixo. É uma das malformações ortopédicas mais comuns e, com tratamento precoce — geralmente o método Ponseti —, a maioria das crianças tem excelente evolução e consegue andar normalmente.

Por isso, o pé torto congênito isolado e tratado raramente dá direito ao BPC. Ele só costuma integrar a avaliação quando há deformidade grave residual, múltiplas correções sem sucesso ou associação com outras condições (como artrogripose ou espinha bífida) que, somadas, causem impedimento de longo prazo. A avaliação biopsicossocial sempre considera o conjunto das limitações, não o diagnóstico isolado.

7. Q71-Q73 — Defeitos por Redução dos Membros

Os defeitos por redução dos membros (CID Q71-Q73) envolvem a ausência ou o encurtamento congênito de membros: superiores (Q71), inferiores (Q72) ou de membros não especificados (Q73). Podem variar da ausência de dedos à ausência completa de um braço ou perna.

A perda funcional e a necessidade de adaptações e próteses costumam configurar impedimento de longo prazo nos termos do Decreto 6.214/2007, especialmente quando afetam atividades básicas como andar, escrever ou se alimentar. A documentação inclui laudo do ortopedista com o CID-10, exames de imagem e relatório da equipe de reabilitação.

8. Q87 — Síndromes Polimalformativas Específicas

As síndromes polimalformativas (CID Q87) reúnem condições com múltiplas malformações associadas afetando vários sistemas ao mesmo tempo. Exemplos incluem a síndrome de Treacher Collins (alterações craniofaciais) e a síndrome CHARGE (que combina alterações oculares, cardíacas, auditivas e de crescimento).

Por afetarem simultaneamente diferentes órgãos e funções, essas síndromes costumam gerar limitação funcional significativa, avaliada pelo conjunto dos impedimentos na avaliação biopsicossocial (Lei 13.146/2015, art. 2º). O diagnóstico geralmente exige avaliação genética e relatório de equipe multidisciplinar.

9. Q90 — Síndrome de Down (Trissomia do 21)

A Síndrome de Down (CID Q90) é a anomalia cromossômica mais conhecida, causada por uma cópia extra do cromossomo 21 (trissomia do 21). Pertence ao grupo Q90-Q99 da CID-10. Costuma estar associada a graus variáveis de deficiência intelectual, atraso de desenvolvimento e, em parte dos casos, a comorbidades como cardiopatias congênitas e hipotireoidismo.

A Síndrome de Down não dá BPC automaticamente. O INSS avalia o grau de impedimento de cada pessoa pela avaliação biopsicossocial — porque o nível de autonomia varia muito de uma pessoa para outra. Pesa o conjunto de limitações intelectuais, motoras e de saúde, além do critério de renda per capita de até R$ 405,25. Veja os critérios detalhados de Síndrome de Down e BPC.

10. Q91 — Síndromes de Edwards (Trissomia 18) e de Patau (Trissomia 13)

O CID Q91 abrange duas anomalias cromossômicas graves: a Síndrome de Edwards (trissomia do cromossomo 18) e a Síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13). Ambas envolvem múltiplas malformações e impacto severo no desenvolvimento desde o nascimento.

Pela gravidade e pelo comprometimento de vários sistemas, essas síndromes costumam configurar impedimento de longo prazo na avaliação biopsicossocial (Lei 13.146/2015, art. 2º). Para a família, além do acompanhamento médico intensivo, o BPC pode ser um apoio financeiro importante. Entenda os critérios da Síndrome de Edwards no BPC. Lembrando: a avaliação é sempre individual, conforme o quadro de cada criança.

CID não é critério único — como o INSS avalia a criança

Ter um CID congênito é o ponto de partida, não a garantia de aprovação. O INSS concede o BPC PCD com base em três pilares cumulativos definidos pela Lei 8.742/93, art. 20 e pela Lei 13.146/2015 (LBI), art. 2º:

  • 1.
    Impedimento de longo prazo — a condição congênita deve produzir efeitos por no mínimo 2 anos, avaliada pelo IFBrA (Índice de Funcionalidade Brasileiro Aplicado). Em crianças, a perícia considera o potencial de desenvolvimento conforme a idade — não basta o diagnóstico, importa o impacto funcional.
  • 2.
    Critério de renda — renda per capita familiar de até R$ 405,25 (1/4 do salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, conforme Decreto 12.797/2025). O STF, no Tema 27 (RE 567.985), reconheceu que a miserabilidade pode ser demonstrada por outros meios de prova além desse limite.
  • 3.
    Inscrição no CadÚnico — o CadÚnico atualizado é pré-requisito obrigatório (Decreto 11.016/2022). Sem ele, o pedido é indeferido antes mesmo da avaliação médica.

Regra importante para famílias: no cálculo da renda per capita, o valor de um BPC já recebido por outro membro da família não entra na conta (Lei 8.742/93, art. 20, §14, incluído pela Lei 14.176/2021). Isso pode ser decisivo quando há mais de uma pessoa com deficiência na mesma casa.

Como pedir o BPC para bebê ou criança com malformação congênita

Quem pede o BPC de um bebê ou criança é sempre o responsável legal (pai, mãe ou tutor) — a criança é a beneficiária, mas não assina o pedido. O caminho prático tem quatro etapas:

  • 1.
    Inscreva a família no CadÚnico no CRAS do seu município, com a criança incluída na composição familiar.
  • 2.
    Faça o requerimento no aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135, em nome da criança, com o responsável legal.
  • 3.
    Compareça à avaliação social, que analisa a situação de vulnerabilidade e as barreiras enfrentadas pela família.
  • 4.
    Leve a criança à perícia médica com a avaliação biopsicossocial, levando laudos, exames e relatórios das terapias.

Se o seu filho tem deficiência e você está começando agora, vale a pena ler o guia completo do BPC para crianças com deficiência, que detalha cada etapa com a perspectiva dos pais.

Documentos para provar a condição congênita no BPC

A documentação médica é decisiva nos pedidos por malformação congênita, porque o INSS precisa enxergar a limitação funcional, não apenas o diagnóstico. Reúna:

  • Laudo do pediatra, neuropediatra ou geneticista com o código CID-10 (Capítulo Q), descrição da condição e grau de comprometimento.
  • Exames de imagem e genéticos (tomografia, ressonância, ecocardiograma, cariótipo) conforme a condição.
  • Relatórios das terapias — fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia — que mostrem a evolução e a necessidade de cuidado contínuo.
  • Relatório escolar, quando houver, indicando a necessidade de apoio ou de profissional de apoio escolar.
  • Documentos do responsável legal e comprovação da composição e da renda familiar para o critério de renda.

Para condições de outros sistemas, consulte as listas por especialidade — como a lista de CIDs neurológicos (G00-G99), onde está a paralisia cerebral (G80), ou a lista de CIDs respiratórios (J00-J99).

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Próximos passos

Se a condição congênita do seu filho ou familiar aparece nesta lista, o próximo passo é reunir a documentação médica completa — laudo com CID-10, exames e relatórios das terapias — e verificar se a família cumpre o critério de renda per capita de até R$ 405,25. Um advogado especializado pode avaliar as particularidades do seu caso e orientar sobre a melhor estratégia para o pedido ou recurso.

As informações deste artigo são de caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado. Cada caso é individual e depende das circunstâncias específicas avaliadas pelo INSS na avaliação biopsicossocial, com atenção especial ao potencial de desenvolvimento da criança.

❓ Perguntas Frequentes

Síndrome de Down dá BPC automaticamente?

Não. A Síndrome de Down (CID Q90) não dá direito ao BPC automaticamente. Ter o diagnóstico é o ponto de partida, mas o INSS analisa o grau de impedimento de cada criança ou adulto pela avaliação biopsicossocial (Lei 13.146/2015, art. 2º) — deficiência intelectual, atraso de desenvolvimento, comorbidades cardíacas e necessidade de apoio. Também é exigido o critério de renda per capita familiar de até R$ 405,25 (1/4 do salário mínimo de 2026). Cada caso é individual. Veja os critérios completos no nosso artigo sobre Síndrome de Down e BPC .

Microcefalia dá direito ao BPC?

A microcefalia (CID Q02) pode dar direito ao BPC, mas não pelo diagnóstico isolado. O que pesa na avaliação biopsicossocial é o grau de comprometimento neurológico e do desenvolvimento: atraso motor e cognitivo, epilepsia associada, necessidade de terapias contínuas e de cuidador. Em bebês e crianças, a perícia considera o potencial de desenvolvimento conforme a idade. É necessário laudo do neuropediatra com CID-10 e relatórios das terapias. Detalhes em microcefalia e BPC .

Pé torto congênito é deficiência para o BPC?

O pé torto congênito (CID Q66) raramente dá direito ao BPC quando é isolado e tratado. Com tratamento precoce — geralmente pelo método Ponseti — a maioria das crianças tem boa evolução funcional e consegue andar normalmente. O CID Q66 só costuma integrar a avaliação do BPC quando há deformidade grave residual, múltiplas correções sem sucesso ou associação com outras malformações que, somadas, causem impedimento de longo prazo. A avaliação é sempre do conjunto das limitações.

Como pedir BPC para bebê com malformação congênita?

Para pedir o BPC de um bebê ou criança com malformação congênita, o responsável legal (pai, mãe ou tutor) deve: 1) inscrever a família no CadÚnico no CRAS; 2) fazer o requerimento no Meu INSS ou pelo telefone 135; 3) comparecer à avaliação social; 4) levar a criança à perícia médica com a avaliação biopsicossocial. Leve laudo do pediatra/neuropediatra com o CID-10, exames e relatórios das terapias. O benefício é de R$ 1.621 em 2026 e exige renda per capita familiar de até R$ 405,25. Veja o passo a passo no guia do BPC para crianças .

Qual o valor do BPC para criança com deficiência em 2026?

O BPC paga R$ 1.621 por mês em 2026 — equivalente a um salário mínimo (Decreto 12.797/2025) — para qualquer pessoa elegível, inclusive crianças com deficiência congênita. O benefício não tem 13º salário e exige renda per capita familiar de até R$ 405,25 (1/4 do salário mínimo). Importante: no cálculo da renda, o próprio BPC já recebido por outro membro da família não entra na conta (Lei 8.742/93, art. 20, §14, incluído pela Lei 14.176/2021). Além da condição que configure impedimento de longo prazo, é obrigatória a inscrição atualizada no CadÚnico .

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