Salário-Maternidade Dobra: INSS Prevê R$ 12 Bi em 2026

O número de pedidos de salário-maternidade (auxílio maternidade) quase dobrou ao longo de 2025 e o INSS projeta um gasto de cerca de R$ 12 bilhões com o benefício em 2026, segundo dados do Ministério da Previdência Social. A alta é consequência da decisão do STF que, no julgamento da ADI 2.110 (março de 2024), dispensou a carência para parte das seguradas. Aqui no Nosso Direito explicamos o que esse número significa — e por que não indica corte do benefício.
Em resumo: as concessões de salário-maternidade passaram de 48.888 em janeiro de 2025 para 94.708 em dezembro (alta de 93,72%), após o STF dispensar a carência de 10 contribuições (ADI 2.110), regra implementada pela Instrução Normativa 188/2025 do INSS. Com mais seguradas elegíveis, a Previdência estima um gasto de R$ 12 bilhões em 2026. O benefício segue garantido pela Lei 8.213/91, art. 71, e continua valendo, no mínimo, R$ 1.621 (salário mínimo de 2026) para quem recebe pelo INSS.
Por Que os Pedidos Dobraram em 2025
O salto nas concessões tem uma causa direta: a derrubada da carência para parte das seguradas. Até 2024, contribuintes individuais, facultativas e seguradas especiais precisavam comprovar 10 contribuições ao INSS para receber o salário-maternidade. Ao julgar a ADI 2.110 (em conjunto com a ADI 2.111), o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou essa exigência inconstitucional. A decisão foi regulamentada pelo INSS por meio da Instrução Normativa 188/2025, publicada em julho de 2025.
O efeito nos números do INSS foi expressivo. Os dados do próprio instituto mostram a evolução das concessões ao longo de 2025:
| Mês de referência (2025) | Benefícios concedidos |
|---|---|
| Janeiro de 2025 | 48.888 |
| Dezembro de 2025 | 94.708 |
| Variação no ano | +93,72% |
Ou seja, o volume mensal de salário-maternidade liberado pelo INSS praticamente dobrou em um ano. O aumento reflete o acesso de seguradas que antes ficavam de fora por não terem as 10 contribuições — especialmente autônomas, donas de casa que contribuem como facultativas e trabalhadoras rurais.
O Que Significa o Gasto de R$ 12 Bilhões
Com mais seguradas recebendo o benefício, a Previdência Social passou a projetar um impacto maior no orçamento. Segundo o órgão, a estimativa de gasto com o salário-maternidade é escalonada nos próximos anos:
| Ano | Gasto estimado pela Previdência |
|---|---|
| 2026 | R$ 12 bilhões |
| 2027 | R$ 15,2 bilhões |
| 2028 | R$ 15,9 bilhões |
| 2029 | R$ 16,7 bilhões |
Atenção ao contexto: esse valor é uma estimativa orçamentária da Previdência Social, não um anúncio de mudança no benefício. O gasto cresce porque mais pessoas passaram a ter direito após a decisão do STF — e não porque o valor pago a cada segurada aumentou. O salário-maternidade individual continua seguindo as mesmas regras de cálculo da Lei 8.213/91.
É importante separar dois fatos. O aumento do gasto público é real e foi divulgado pela própria Previdência. Já a ideia de que o benefício "vai acabar" ou "será cortado" não tem respaldo em nenhum ato oficial até o momento. O salário-maternidade é um direito constitucional (Constituição Federal, art. 7º, XVIII) e previdenciário (Lei 8.213/91, art. 71 e seguintes), e permanece em vigor normalmente.
O Que Muda na Prática para as Seguradas
Para quem tem direito, a notícia é positiva: o crescimento dos pedidos é justamente o reflexo de mais seguradas conseguindo o benefício. Veja o que o cenário atual representa por categoria:
- ✓Contribuinte individual, facultativa e segurada especial — não precisam mais comprovar 10 contribuições; basta manter a qualidade de segurada no momento do parto, adoção ou aborto não criminoso (efeito da ADI 2.110 + IN 188/2025).
- ✓Empregadas, domésticas e trabalhadoras avulsas — continuam sem exigência de carência, como já era antes da decisão do STF.
- ✓Valor mínimo de R$ 1.621 em 2026 — quem recebe pelo INSS tem como piso 1 salário mínimo; o teto acompanha o teto do INSS (R$ 8.475,55 em 2026).
- ✓Prazo de pagamento mais curto — desde 2026, o INSS tem 30 dias para decidir o pedido das seguradas que recebem diretamente do instituto.
Vale lembrar que, além da dispensa de carência, outra mudança recente reforçou a proteção das mães: a redução do prazo de pagamento do INSS. Entenda os detalhes no nosso conteúdo sobre a nova lei que reduziu para 30 dias o prazo do INSS para pagar o salário-maternidade. Para conferir quem tem direito e como funciona cada situação, consulte o nosso guia completo do salário-maternidade e a lista das 8 categorias com direito ao benefício.
Se a gestação envolver complicações de saúde antes do parto, a mãe pode ter direito a outros benefícios previdenciários, como o auxílio-doença em casos de gestação de risco. Cada situação é individual: as informações deste artigo têm caráter informativo e não substituem a orientação de um profissional. Em caso de dúvida ou de pedido negado, consulte um advogado especializado em direito previdenciário para analisar o seu caso.
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❓ Perguntas Frequentes
Por que os pedidos de salário-maternidade dobraram em 2025?
O salário-maternidade pode acabar ou ser cortado por causa do gasto?
Preciso ter carência para receber o salário-maternidade em 2026?
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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais
Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.
NSC Total — Salário-maternidade 2026: pedidos explodem e INSS prevê gasto de R$ 12 bilhões
INSS — Salário-Maternidade
STF — ADIs 2.110 e 2.111 (carência do salário-maternidade)
Lei 8.213/91 (Planos de Benefícios — art. 71 e seguintes)
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