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CID Oncológico para BPC: Lista Completa (C00-D48)

Atualizado em 24 de maio de 2026
10 min de leitura
Oncologista conversa com paciente em sessão de quimioterapia ambulatorial.
CIDs C00 a D48 cobrem neoplasias elegíveis ao BPC — CID-10 OMS, Lei 8.742/1993 art. 20 e estadiamento TNM. Fonte: INSS — Cartilha BPC 2024.

Sim, doenças oncológicas como câncer metastático (C77-C79), leucemias agudas (C91-C95), linfomas avançados (C82-C85), mieloma múltiplo (C90) e neoplasias com sequelas incapacitantes podem dar direito ao BPC de R$ 1.621 mensais. O que define a elegibilidade não é o diagnóstico isolado, mas a combinação de estadiamento (TNM) + impacto funcional do tratamento + sequela permanente. Câncer em estágio inicial com cura documentada raramente atende ao critério; metástase ou tratamento prolongado costuma atender.

Sobre este artigo

Este artigo lista os CIDs oncológicos (C00-D48) — neoplasias malignas + tumores in situ + neoplasias de comportamento incerto — e como o INSS avalia o estadiamento e a sequela. Para o panorama geral sobre BPC e câncer, veja o guia BPC para câncer. Para o hub de doenças crônicas que cobre câncer, autoimunes e degenerativas, veja BPC para doenças crônicas e autoimunes.

Como o INSS classifica CIDs oncológicos para BPC

Os CIDs oncológicos estão no Capítulo II da CID-10 (C00-D48) — neoplasias. O capítulo cobre três grupos:

  • C00-C97: Neoplasias malignas (todas as localizações)
  • D00-D09: Carcinoma in situ (lesões pré-invasivas)
  • D10-D36: Neoplasias benignas (geralmente fora do escopo do BPC)
  • D37-D48: Neoplasias de comportamento incerto ou desconhecido

Para o BPC, o INSS aplica os critérios da Lei 8.742/1993 (LOAS), art. 20 § 2º — impedimento de longo prazo, barreiras e renda — combinados com a regra de renda ampliada da Lei 14.176/2021 e o regulamento do Decreto 6.214/2007. A particularidade oncológica é a dinâmica temporal: muitos cânceres tratáveis configuram impedimento durante 2-3 anos de tratamento, mas podem cessar com a cura. Outros (metastáticos, recidivantes) permanecem indefinidamente.

Estadiamento TNM e a noção de impedimento de longo prazo

O sistema TNM (Tumor, Linfonodo, Metástase) padroniza o estadiamento de cânceres sólidos. Para a perícia do BPC, é o dado mais relevante depois do diagnóstico:

EstágioDescriçãoTendência BPC
Estágio 0Carcinoma in situ — lesão pré-invasivaGeralmente não configura impedimento
Estágio ITumor pequeno, localizado, sem disseminaçãoRaramente, exceto durante tratamento ativo
Estágio IITumor maior ou com extensão local limitadaDurante tratamento sim; remissão completa não
Estágio IIIDisseminação para linfonodos regionaisCostuma atender ao critério funcional
Estágio IVMetástase à distânciaAtende ao critério; tramitação prioritária

Ponto crítico

Para o BPC, o laudo oncológico deve trazer o estadiamento explícito (cTNM clínico ou pTNM patológico) e o protocolo de tratamento em andamento. Câncer sem estadiamento no laudo gera dúvidas pra perícia.

Neoplasias de órgãos sólidos: C00-C80

Cabeça e pescoço (C00-C14)

  • C00: Lábio
  • C01-C02: Língua
  • C03-C06: Cavidade oral
  • C07-C08: Glândulas salivares
  • C09-C10: Orofaringe
  • C11: Nasofaringe
  • C13-C14: Hipofaringe e outras localizações

Sistema digestivo (C15-C26)

  • C15: Esôfago
  • C16: Estômago
  • C18-C20: Cólon, reto, junção retossigmóide
  • C22: Fígado e vias biliares intra-hepáticas
  • C25: Pâncreas

Sistema respiratório (C30-C39)

  • C32: Laringe
  • C34: Brônquios e pulmão
  • C37-C38: Timo e coração/mediastino

Mama e ginecológicos (C50-C58)

  • C50: Mama
  • C53: Colo do útero
  • C54-C55: Corpo do útero
  • C56: Ovário
  • C57: Outros órgãos genitais femininos

Sistema geniturinário masculino (C60-C68)

  • C61: Próstata
  • C62: Testículo
  • C64: Rim
  • C67: Bexiga

SNC e endócrinos (C69-C75)

  • C70-C72: Meninges, encéfalo, sistema nervoso central
  • C73: Tireoide
  • C74-C75: Suprarrenal e outras glândulas

Disseminação (C76-C80)

  • C76: Outras localizações maldefinidas
  • C77.0-C77.9: Metástase em linfonodos
  • C78.0-C78.8: Metástase em órgãos respiratórios e digestivos
  • C79.0-C79.9: Metástase em outros órgãos (osso, encéfalo, fígado, etc.)
  • C80: Neoplasia maligna sem especificação de localização

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Neoplasias hematológicas: C81-C96

  • C81.0-C81.9: Linfoma de Hodgkin (vários subtipos)
  • C82.0-C82.9: Linfoma folicular (não-Hodgkin)
  • C83.0-C83.9: Linfoma difuso (não-Hodgkin)
  • C84.0-C84.9: Linfomas de células T periféricas e cutâneos
  • C85.0-C85.9: Outros linfomas não-Hodgkin
  • C88.0-C88.9: Doenças imunoproliferativas (Waldenström)
  • C90.0: Mieloma múltiplo
  • C91.0: Leucemia linfoide aguda (LLA)
  • C91.1: Leucemia linfoide crônica (LLC)
  • C92.0: Leucemia mieloide aguda (LMA)
  • C92.1: Leucemia mieloide crônica (LMC)
  • C93-C95: Outras leucemias
  • C96.0-C96.9: Outras neoplasias do tecido linfático e hematopoético

Neoplasias hematológicas e BPC

Leucemias agudas (C91.0, C92.0) e linfomas agressivos (C83.3, C83.7) requerem quimioterapia intensiva por 6-24 meses, com hospitalizações frequentes e imunossupressão severa. O critério de impedimento de longo prazo costuma ser amplamente reconhecido durante o tratamento. Em remissão sustentada, a elegibilidade pode ser reavaliada. A Lei 12.732/2012 (Lei do Câncer) ainda garante prazo de até 60 dias para início de tratamento no SUS após diagnóstico.

Sarcomas e tumores raros (C40-C49)

  • C40: Sarcoma de osso e cartilagem articular dos membros
  • C41: Sarcoma de osso e cartilagem articular de outras localizações
  • C43: Melanoma maligno da pele
  • C44: Outras neoplasias malignas da pele (basocelular, espinocelular)
  • C45: Mesotelioma
  • C46: Sarcoma de Kaposi
  • C47: Nervos periféricos e sistema nervoso autônomo
  • C48: Retroperitônio e peritônio
  • C49: Sarcoma de tecido conjuntivo e mole

Carcinoma in situ (D00-D09): impedimento de longo prazo?

O carcinoma in situ representa lesão pré-invasiva — células neoplásicas confinadas à camada epitelial sem ultrapassar a membrana basal. Subdivisões CID-10:

  • D00: Carcinoma in situ da cavidade oral, esôfago e estômago
  • D01: Outros órgãos digestivos
  • D02: Trato respiratório (laringe, traqueia, brônquios)
  • D03: Melanoma in situ
  • D04: Pele
  • D05: Mama (CDIS — carcinoma ductal in situ)
  • D06: Colo do útero
  • D07: Outros órgãos genitais
  • D09: Outros locais não especificados

BPC para in situ?

Geralmente não atende ao critério funcional isoladamente. O carcinoma in situ é tratado com excisão cirúrgica e tem excelente prognóstico. Apenas em casos com sequela cirúrgica grave (CDIS extenso → mastectomia + linfedema, por exemplo) pode haver elegibilidade.

Sequelas pós-tratamento: mastectomia, ostomia, amputação

Para a perícia, sequelas funcionais permanentes costumam ser decisivas. CIDs Z (situação pessoal) e Y (consequências):

  • Z85.0-Z85.9: História pessoal de neoplasia maligna (vários sítios)
  • Z90.1: Ausência adquirida de mama(s) (pós-mastectomia)
  • Z90.7: Ausência de órgão genital
  • Z93.0: Status de traqueostomia
  • Z93.1: Status de gastrostomia
  • Z93.2: Status de ileostomia
  • Z93.3: Status de colostomia
  • Z89.4-Z89.9: Amputação adquirida de membro
  • I89.0: Linfedema (pós-esvaziamento axilar)
  • T80-T88: Complicações de cuidados médicos (radioterapia, quimio)

O que comprovar

Sequela pós-tratamento deve aparecer como CID adicional no laudo do oncologista ou cirurgião, com descrição funcional explícita — limitação de amplitude de movimento, perda permanente de função, necessidade de dispositivos (bolsa de colostomia, próteses, drenos).

Documentos oncológicos necessários

  • Laudo anatomopatológico (biópsia) com CID-10, tipo histológico e grau
  • Laudo do oncologista clínico — estadiamento (cTNM/pTNM), protocolo em uso, prognóstico
  • Relatório de tratamento — quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, cirurgia
  • Exames de estadiamento — tomografia de tórax/abdome/pelve, PET-CT, RM, cintilografia óssea
  • Marcadores tumorais quando aplicáveis (CEA, CA 19-9, CA 125, PSA, AFP, beta-hCG)
  • Hemograma + bioquímica durante tratamento (toxicidade hematológica)
  • Laudo de cirurgia oncológica quando aplicável (margens, esvaziamento, sequela)
  • Comprovante de tratamento atual — agendamento de quimio, sessões de radio

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Como o IFBrA avalia limitação oncológica

O IFBrA (Portaria Conjunta INSS/MDS nº 1/2014, detalhado na Cartilha BPC Oficial (INSS, 2024)) pontua, para neoplasias, domínios variáveis conforme o tipo de tratamento e a sequela:

  • Cuidados pessoais — banho, vestir-se, alimentar-se (afetados durante quimio + radio simultâneas)
  • Mobilidade — fadiga oncológica, neuropatia periférica por quimio, amputação
  • Vida doméstica — preparar refeições, cuidar da casa (limitação por fadiga)
  • Comunicação — câncer de cabeça e pescoço (traqueostomia, ressecção laríngea)
  • Educação, trabalho e vida econômica — incapacidade durante tratamento
  • Socialização — restrição por imunossupressão, ostomias

Para câncer durante tratamento ativo, o impacto é multidimensional — fadiga, náuseas, neuropatia, alopecia, imunossupressão. Já em sequelas pós-tratamento (linfedema, ostomia, amputação), o impacto se concentra em mobilidade e cuidados pessoais.

Próximos passos

  • Atualize o CadÚnico com renda familiar correta
  • Reúna laudos oncológicos e exames de estadiamento atualizados
  • Confirme que o laudo traz CID-10 + cTNM/pTNM + protocolo em uso
  • Solicite o BPC pelo Meu INSS ou telefone 135
  • Mencione tratamento ativo na pré-perícia (tramitação ágil)
  • Compareça às avaliações médica (perícia) e social
  • Aguarde a decisão (em geral 30-60 dias para câncer; metástase pode ser mais rápido)

Para o passo a passo completo, consulte o portal oficial do INSS sobre BPC e nosso guia de como solicitar o BPC e o guia sobre IFBrA.

— conteúdo revisado conforme Lei 8.742/1993, Decreto 6.214/2007, Lei 14.176/2021, Lei 12.732/2012 (Lei do Câncer) e Portaria Conjunta INSS/MDS nº 1/2014 (IFBrA).

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❓ Perguntas Frequentes

Câncer de pele não-melanoma (C44) dá direito ao BPC?

Raramente. O carcinoma basocelular e o espinocelular (CID C44) são tipicamente tratáveis com excisão cirúrgica simples e taxa de cura alta. O critério de impedimento de longo prazo não costuma ser atendido. Já o melanoma maligno (C43), especialmente em estágios III-IV ou metastático, é avaliado de forma diferente — esses costumam ter o impedimento reconhecido.

Câncer de mama (C50) em remissão após 5 anos: ainda configura impedimento?

Geralmente não, se a remissão for completa. Após 5 anos sem evidência de doença (NED) e sem sequelas funcionais significativas, o critério de impedimento de longo prazo costuma ser questionado. Exceção importante: se há sequelas funcionais persistentes (linfedema do braço pós-esvaziamento axilar, ombro congelado, neuropatia por quimio), o impedimento pode continuar configurado.

Leucemia infantil (C91-C95): aprovação automática no BPC?

Não existe aprovação automática, mas a tramitação tende a ser ágil. Leucemias agudas (C91.0 LLA, C92.0 LMA, C95.0 LA não especificada) em crianças exigem tratamento prolongado (2-3 anos), com hospitalizações frequentes e impacto severo na rotina familiar. O INSS reconhece com frequência o impedimento de longo prazo. Anexe relatórios da equipe de oncopediatria + comprovação de tratamento ativo.

Mastectomia (sequela): é avaliada como deficiência?

Pode ser avaliada como deficiência funcional. A mastectomia (Z90.1 ou no contexto pós-C50) por si só não é deficiência, mas sequelas como linfedema do braço (I89.0), restrição de mobilidade do ombro, dor neuropática crônica pós-mastectomia ou cordão axilar fibrótico podem configurar impedimento — sobretudo em casos com esvaziamento axilar e radioterapia adjuvante.

Neoplasia metastática (C77-C79): prioridade na perícia?

Sim, costuma ter tramitação prioritária. Neoplasias com metástase (CIDs C77 linfonodos, C78 sistema respiratório/digestivo, C79 outros órgãos) figuram no rol de doenças com isenção de carência no INSS (Portaria Interministerial MPS/MS 2.998/2001) e atendem ao critério funcional do BPC. Anexe laudo do oncologista detalhando estadiamento (T-N-M) e tratamento atual.

Tumor benigno em local crítico (D33 hipófise) dá direito ao BPC?

Pode dar, conforme impacto funcional. Tumores benignos do SNC (CID D33 — meninge, encéfalo, hipófise) ou outras localizações críticas (D32, D35) podem configurar impedimento mesmo sendo histologicamente benignos, quando produzem déficits neurológicos, endócrinos ou compressivos persistentes — por exemplo, adenoma de hipófise com pan-hipopituitarismo, ou meningioma com déficit motor pós-cirúrgico.

Câncer + quimioterapia ativa: configura impedimento mesmo que tratável?

Sim. Durante o tratamento oncológico ativo (quimio, radio, imunoterapia), o paciente costuma ter capacidade funcional reduzida — toxicidade, neutropenia, fadiga, náuseas. Mesmo em câncer potencialmente curável (mama estágio II, próstata localizada), o período de tratamento + recuperação ultrapassa frequentemente 2 anos e atende ao critério de impedimento de longo prazo do BPC.

CID Z85 (história de neoplasia) entra como sequela?

Sozinho não basta. O CID Z85 (história pessoal de neoplasia maligna) é um classificador de antecedente, não doença ativa. Para o BPC, é necessário documentar sequela funcional persistente (ostomia definitiva — Z93, mastectomia + linfedema — Z90.1 + I89.0, amputação — Z89, traqueostomia — Z93.0) ou recidiva ativa. A história isolada de câncer não configura impedimento.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

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