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CID Cardiovascular para BPC: Lista Completa (I00-I99)

Atualizado em 23 de maio de 2026
10 min de leitura
Cardiologista realiza ausculta cardíaca em paciente idoso durante consulta.
CIDs I00 a I99 cobrem doenças cardiovasculares elegíveis ao BPC — CID-10 OMS, Lei 8.742/1993 art. 20 e escala NYHA. Fonte: INSS — Cartilha BPC 2024.

Sim, doenças cardiovasculares como insuficiência cardíaca classe III/IV (I50), sequela de AVC (I63-I64), cardiopatia isquêmica grave (I25), cardiopatia chagásica avançada (I98.1) e aneurismas inoperáveis (I71) podem dar direito ao BPC de R$ 1.621 mensais. O ponto-chave para o INSS não é o diagnóstico cardiovascular isolado, mas a limitação funcional residual — sequela ou estágio avançado que produza impedimento de longo prazo (mínimo 2 anos).

Sobre este artigo

Este artigo lista os CIDs cardiovasculares (I00-I99) aceitos para BPC, com foco no impacto funcional (escala NYHA, fração de ejeção, sequela). Para uma condição específica, veja insuficiência cardíaca (I50), AVC (I63-I64) ou hipertensão (I10). Para o panorama geral, veja o guia BPC para doenças cardiovasculares.

Como o INSS classifica CIDs cardiovasculares para BPC

Os CIDs cardiovasculares estão no Capítulo IX da CID-10 (I00-I99) — doenças do aparelho circulatório. O INSS aplica os critérios cumulativos da Lei 8.742/1993 (LOAS), art. 20 § 2º:

  • Impedimento de longo prazo — natureza física por pelo menos 2 anos
  • Barreiras à participação social, mobilidade e trabalho
  • Renda familiar per capita até 1/4 do salário mínimo (até 1/2 com a Lei 14.176/2021)

A regra de renda ampliada está consolidada na Lei 14.176/2021 e regulamentada pelo Decreto 6.214/2007.

Particularidade cardiovascular: muitas condições do bloco I são agudas ou tratáveis (infarto com revascularização bem sucedida, hipertensão controlada). O critério do BPC se aplica quando a doença evolui com sequela funcional crônica — insuficiência cardíaca avançada, sequela de AVC, cardiopatia chagásica em fase dilatada, doença arterial periférica com limitação severa.

Mapa rápido dos CIDs cardiovasculares (I00-I99)

CódigoBlocoExemplos relevantes para BPC
I00-I02Febre reumática agudaSequela valvar pós-reumática (I05-I09)
I05-I09Doenças reumáticas crônicas do coraçãoValvopatia reumática (I05 mitral, I08 múltiplas)
I10-I15Doenças hipertensivasHipertensão essencial (I10), cardiopatia hipertensiva (I11), DRC hipertensiva (I12)
I20-I25Cardiopatias isquêmicasAngina (I20), infarto agudo (I21), cardiopatia isquêmica crônica (I25)
I26-I28Cardiopatia pulmonarEmbolia pulmonar (I26), hipertensão pulmonar (I27)
I30-I52Outras formas de cardiopatiaPericardites (I30-I32), endocardites (I33-I39), miocardiopatias (I42), insuficiência cardíaca (I50), arritmias (I44-I49)
I60-I69Doenças cerebrovascularesHemorragia subaracnóide (I60), AVC hemorrágico (I61), AVC isquêmico (I63), AVC não especificado (I64), sequelas (I69)
I70-I79Artérias e arteríolasAterosclerose (I70), aneurisma da aorta (I71), doença arterial periférica (I73)
I80-I89Veias, vasos linfáticos e linfonodosTromboflebite (I80), trombose venosa profunda (I82), insuficiência venosa crônica (I87.0), linfedema (I89.0)
I95-I99Outros transtornos do aparelho circulatórioHipotensão (I95), cardiopatia chagásica (I98.1*), transtornos não especificados

Cardiopatias isquêmicas (I20-I25)

  • I20.0: Angina instável
  • I20.1: Angina com espasmo documentado (Prinzmetal)
  • I20.8/I20.9: Outras anginas pectoris
  • I21.0-I21.4: Infarto agudo do miocárdio (vários territórios)
  • I22.0-I22.9: Infarto agudo do miocárdio recorrente
  • I23.0-I23.8: Complicações pós-infarto (ruptura, trombose mural)
  • I24.0/I24.8: Outras cardiopatias isquêmicas agudas
  • I25.0: Doença cardiovascular aterosclerótica
  • I25.1: Doença aterosclerótica do coração
  • I25.2: Infarto antigo do miocárdio (cicatriz)
  • I25.3: Aneurisma cardíaco
  • I25.5: Cardiomiopatia isquêmica
  • I25.8/I25.9: Outras formas crônicas

Quando o BPC tende a ser concedido

Cardiopatia isquêmica crônica com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 35%, classe funcional NYHA III/IV, angina recorrente apesar de revascularização e medicação otimizada, ou complicação isquêmica (cardiomiopatia isquêmica I25.5) costuma atender ao critério funcional.

Insuficiência cardíaca (I50) e escala NYHA

A insuficiência cardíaca (CID I50) é o CID cardiovascular com maior reconhecimento como impedimento de longo prazo. A avaliação combina o CID com a classe funcional NYHA e a fração de ejeção:

Subdivisões CID-10

  • I50.0: Insuficiência cardíaca congestiva
  • I50.1: Insuficiência ventricular esquerda
  • I50.9: Insuficiência cardíaca não especificada

Escala NYHA (New York Heart Association)

ClasseDescrição funcionalElegibilidade BPC
Classe ISem limitação à atividade física habitualGeralmente não atende ao critério
Classe IILimitação leve; sintomas a esforços moderadosRaramente isoladamente
Classe IIILimitação acentuada; sintomas a pequenos esforçosCostuma atender ao critério
Classe IVSintomas em repouso; incapaz de qualquer atividade físicaAtende ao critério funcional

Dado-chave para o laudo

Inclua sempre FEVE atual (ecocardiograma), BNP/NT-proBNP quando houver, classe NYHA e histórico de descompensações nos últimos 24 meses. Essa tríade é o que a perícia usa para qualificar o impedimento.

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Doenças cerebrovasculares: I60-I69

  • I60.0-I60.9: Hemorragia subaracnóide
  • I61.0-I61.9: Hemorragia intracerebral
  • I62.0/I62.9: Outras hemorragias intracranianas não-traumáticas
  • I63.0-I63.9: Infarto cerebral (AVC isquêmico)
  • I64: AVC não especificado como hemorrágico ou isquêmico
  • I65.0-I65.9: Oclusão e estenose de artérias pré-cerebrais
  • I66.0-I66.9: Oclusão e estenose de artérias cerebrais
  • I67.0-I67.9: Outras doenças cerebrovasculares
  • I69.0-I69.8: Sequelas de doenças cerebrovasculares

Sequela é o que conta

No requerimento de BPC, anexe o CID etiológico (I63/I64) e o CID da sequela funcional: G81 (hemiplegia), G82 (paraplegia/tetraplegia), G83 (outras síndromes paralíticas), R47 (distúrbios da fala), ou R26 (anormalidades da marcha). Veja os critérios funcionais detalhados na Cartilha BPC Oficial (INSS, 2024).

Sistema venoso periférico: I80-I87

  • I80.0-I80.9: Flebite e tromboflebite
  • I81: Trombose da veia porta
  • I82.0-I82.9: Outras embolias e tromboses venosas
  • I83.0-I83.9: Varizes dos membros inferiores
  • I84.0-I84.9: Hemorroidas
  • I85.0-I85.9: Varizes esofágicas
  • I86.0-I86.8: Varizes de outros locais
  • I87.0: Síndrome pós-trombótica (insuficiência venosa crônica)
  • I87.1: Compressão de veia
  • I87.2: Insuficiência venosa periférica crônica
  • I87.8/I87.9: Outras patologias venosas
  • I89.0: Linfedema não classificado

Marca-passos e desfibriladores (Z95)

Os códigos Z95 classificam a presença de dispositivos implantados, não doenças:

  • Z95.0: Presença de marca-passo cardíaco
  • Z95.1: Presença de ponte de safena (revascularização)
  • Z95.2: Presença de valva cardíaca protética
  • Z95.3: Presença de valva cardíaca xenogênica
  • Z95.4: Presença de outra valva cardíaca substituta
  • Z95.5: Presença de implante e enxerto angioplástico
  • Z95.8/Z95.9: Outras presenças de implantes

Atenção

O uso de marca-passo (Z95.0) ou desfibrilador (CDI) por si só não configura BPC. O foco continua sendo a cardiopatia de base (I49 arritmias, I44/I45 bloqueios) e o impacto funcional residual após o implante. Anexe relatório do cardiologista descrevendo o estado funcional pós-implante.

Documentos cardiovasculares necessários

  • Laudo do cardiologista com CRM, CID-10, classe NYHA, FEVE atual e prognóstico de longo prazo (≥ 2 anos)
  • Eletrocardiograma (ECG) — arritmias, bloqueios, sequela de infarto
  • Ecocardiograma com FEVE — função sistólica do VE, valvulopatias
  • Holter 24h ou MAPA — arritmias paroxísticas, pressão ambulatorial
  • Cateterismo / coronariografia — doença arterial coronariana
  • Cintilografia miocárdica / RM cardíaca — isquemia, viabilidade
  • Tomografia angiográfica — aneurisma de aorta, doença arterial periférica
  • Eco-Doppler venoso — insuficiência venosa crônica, TVP residual
  • BNP/NT-proBNP — gravidade da insuficiência cardíaca

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Como o IFBrA avalia limitação cardiovascular

Para CIDs cardiovasculares, o IFBrA pontua principalmente:

  • Mobilidade — caminhar, subir escadas, deslocar-se (insuficiência cardíaca NYHA III/IV, doença arterial periférica grave)
  • Cuidados pessoais — banho, vestir-se, alimentar-se (pacientes em dispneia em repouso)
  • Vida doméstica — atividades de esforço moderado (preparo de refeições, limpeza)
  • Comunicação e cognição — afetadas em sequela de AVC
  • Educação, trabalho e vida econômica — incapacidade para tarefas físicas ou de concentração
  • Socialização — restrição por sintomas (dispneia, dor anginosa)

Sequela neurológica de AVC tipicamente pontua em mobilidade, comunicação e cuidados pessoais; insuficiência cardíaca avançada em mobilidade, cuidados pessoais e vida doméstica.

Próximos passos

  • Atualize o CadÚnico com renda familiar correta
  • Reúna laudos cardiológicos e exames dos últimos 24 meses
  • Garanta que o laudo cite NYHA, FEVE e CID explicitamente
  • Solicite o BPC pelo Meu INSS ou telefone 135
  • Compareça às avaliações médica (perícia) e social (assistente social)
  • Aguarde a decisão (em geral 30-90 dias)

Para o passo a passo completo, consulte o portal oficial do INSS sobre BPC e nosso guia de como solicitar o BPC e o guia sobre IFBrA.

— conteúdo revisado conforme Lei 8.742/1993, Decreto 6.214/2007, Lei 14.176/2021, Portaria Conjunta INSS/MDS nº 1/2014 (IFBrA) e Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca (SBC).

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❓ Perguntas Frequentes

Hipertensão controlada (I10) dá direito ao BPC?

Geralmente não isoladamente. Hipertensão (CID I10) controlada com medicação e sem repercussão em órgãos-alvo (coração, rins, retina) não configura impedimento de longo prazo. Já hipertensão maligna ou refratária (I10 + lesões em órgãos), associada a insuficiência cardíaca, retinopatia hipertensiva grau IV (H35.0) ou doença renal crônica (N18), pode atender ao critério funcional.

Insuficiência cardíaca classe II NYHA é suficiente para BPC?

Geralmente não. A escala NYHA divide a insuficiência cardíaca em quatro classes funcionais. Classe II (sintomas a esforços moderados) ainda permite atividades cotidianas e raramente configura impedimento de longo prazo. Classes III e IV (sintomas a pequenos esforços ou em repouso) costumam atender ao critério funcional do BPC, especialmente com fração de ejeção reduzida documentada.

Sequela de AVC (hemiplegia) entra como CID I ou G?

Ambos podem coexistir no laudo. I63/I64 classificam o evento cerebrovascular (infarto cerebral, AVC não especificado); G81/G82/G83 classificam a sequela motora (hemiplegia, paraplegia, tetraplegia). O INSS olha principalmente a sequela funcional — o IFBrA pontua mobilidade, cuidados pessoais e autonomia.

Pós-infarto (I21): a partir de quando configura impedimento?

Depende da recuperação. Infarto agudo do miocárdio (I21) que evolui com insuficiência cardíaca isquêmica (I25.5), fração de ejeção reduzida persistente (FEVE ≤ 35%) ou angina instável recorrente pode configurar impedimento de longo prazo após 2 anos. Casos com revascularização bem-sucedida e recuperação funcional tendem a não atender ao critério.

Pessoa com marca-passo (Z95.0) tem direito automático ao BPC?

Não existe direito automático por uso de marca-passo. O CID Z95.0 (presença de marca-passo cardíaco) é classificador de procedimento, não doença. O BPC depende da cardiopatia de base (I49 arritmias, I44/I45 bloqueios) e do impacto funcional residual. Marca-passo bem ajustado pode restaurar a funcionalidade — nesse caso, o impedimento de longo prazo não se configura.

Trombose venosa crônica (I87.0) dá direito ao BPC?

Pode dar em casos graves. A síndrome pós-trombótica (I87.0) com insuficiência venosa crônica severa, úlceras varicosas recorrentes, edema incapacitante ou linfedema secundário pode configurar impedimento de longo prazo — sobretudo quando bilateral e refratária a tratamento conservador. Casos leves a moderados raramente atendem ao critério.

Cardiopatia chagásica (I98.1) tem tratamento como AIDS no INSS?

Sim, em parte. Doença de Chagas com cardiopatia (I98.1) ou miocardiopatia (I43) está incluída no rol de doenças que dispensam carência no INSS (Portaria Interministerial MPS/MS 2.998/2001) — mas isso vale para aposentadoria por incapacidade. Para o BPC, a doença é avaliada como qualquer cardiopatia: pelo impedimento funcional documentado.

Aneurisma aórtico inoperável dá direito ao BPC?

Pode atender ao critério funcional. Aneurisma da aorta (I71) considerado inoperável pelo cirurgião vascular, com risco de ruptura e restrição severa a atividade física, costuma configurar impedimento de longo prazo. Anexe laudo do cirurgião vascular detalhando o motivo da inoperabilidade (comorbidades, tamanho, localização) e tomografia angiografica.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

Importante: Sempre consulte as fontes oficiais mais recentes, pois as normas podem ser atualizadas. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui orientação jurídica especializada.

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