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Fui Afastado pelo Médico — O Que Fazer Agora em 2026?

Atualizado em 20 de agosto de 2026
8 min de leitura
Trabalhadora pensativa segura um atestado médico em casa, refletindo sobre os próximos passos do afastamento.
Após o atestado, a empresa paga os primeiros 15 dias e o INSS assume o auxílio-doença a partir do 16º (Lei 8.213/91, art. 60) em 2026. Fonte: INSS.

O atestado que o médico assinou tem uma data de início, e é dela que saem todas as outras: o dia em que a empresa deixa de pagar, o dia em que o INSS entra, o dia em que o benefício vence. Quem entrega o papel no RH e só procura o INSS semanas depois costuma descobrir tarde que o atraso encurtou o que teria a receber. Abaixo, essa linha do tempo, do aviso à empresa à data de cessação.

O relógio começa na data que o médico escreveu

A contagem parte do primeiro dia de afastamento indicado no atestado, não do dia em que o documento chega ao RH. Entregue com comprovante — e-mail, protocolo ou recibo assinado —, porque é o que prova quando a empresa tomou ciência.

A falta por doença se justifica pela Lei 605/1949, art. 6º, §1º, alínea “f”, que arrola entre os motivos justificados “a doença do empregado, devidamente comprovada”. É comum ouvir que a base seria o art. 473 da CLT, mas os doze incisos de lá tratam de luto, casamento, nascimento de filho, doação de sangue, alistamento, serviço militar, vestibular, juízo, reunião sindical, acompanhamento de gestante e de filho pequeno e exames preventivos de câncer. A doença do próprio empregado ficou fora dessa lista.

A lei federal não fixa prazo para avisar: isso vem da convenção coletiva ou do regulamento interno, e muitas trazem 48 horas. Se a empresa se recusar a receber atestado válido, o caminho está em quando a empresa não aceita o atestado médico.

A lei põe o atestado do seu médico no fim da fila

A hierarquia que vale está na Lei 605/1949, art. 6º, §2º, na redação da Lei 2.761/1956. A Súmula 15 do TST é muito citada nesse ponto, mas ela apenas remete a essa lei: “A justificação da ausência do empregado motivada por doença, para a percepção do salário-enfermidade e da remuneração do repouso semanal, deve observar a ordem preferencial dos atestados médicos estabelecida em lei”. A súmula não cria ordem própria nem põe a rede pública na frente. A fila legal é esta:

OrdemAtestado de
Médico da instituição de previdência social a que o empregado é filiado
Médico do Serviço Social do Comércio ou da Indústria (Sesc/Sesi)
Médico da empresa ou por ela designado
Médico de repartição federal, estadual ou municipal de higiene ou saúde pública
Não existindo os anteriores na localidade, médico de escolha do empregado

O atestado da rede pública aparece em quarto lugar, e o do médico que o trabalhador escolheu é o último. No dia a dia o atestado particular é aceito sem discussão; a hierarquia só costuma ser invocada quando há divergência sobre o documento, como argumento do empregador. Quem pode assinar e o que o atestado deve conter é assunto da página sobre quem pode afastar e o que o atestado deve trazer.

Até o 15º dia o salário sai da empresa

Para quem tem carteira assinada, os quinze primeiros dias consecutivos de afastamento por doença são pagos pelo empregador como salário integral, por força do art. 60, §3º da Lei 8.213/91 (redação da Lei 9.876/1999). O benefício do INSS só existe quando a incapacidade ultrapassa esses quinze dias (art. 59), hipótese em que o Decreto 3.048/1999, art. 75, §2º prevê o encaminhamento à perícia. Para os demais segurados — contribuinte individual, facultativo, MEI — não há período pago por empresa.

Atestados curtos e repetidos pela mesma causa não zeram o relógio. O art. 75 do Decreto 3.048/1999 (redação do Decreto 10.410/2020) cobre as três situações mais frequentes:

  • Cumpriu os 15 dias e voltou no 16º. Afastando-se de novo pelo mesmo motivo em até 60 dias do retorno, o benefício é devido desde a data do novo afastamento — a empresa não paga outros quinze (§4º).
  • Voltou antes de completar os 15 dias. Os períodos se somam, e o benefício passa a ser devido no dia seguinte ao que o total fechar quinze dias (§5º).
  • O benefício anterior cessou há menos de 60 dias. Concedido outro pelo mesmo motivo nesse prazo, a empresa fica desobrigada dos quinze dias e o anterior é prorrogado (§3º).

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Do 16º dia é o INSS, e a data do pedido entra na conta

O art. 60 da Lei 8.213/91 fixa o marco: o auxílio é devido ao segurado empregado a contar do 16º dia de afastamento e, aos demais segurados, desde o início da incapacidade. O pedido sai pelo Meu INSS ou pela Central 135.

Demorar para pedir custa dinheiro

O §1º do art. 60 é explícito: “Quando requerido por segurado afastado da atividade por mais de 30 (trinta) dias, o auxílio-doença será devido a contar da data da entrada do requerimento”. Passado esse mês, o benefício deixa de retroagir ao 16º dia. O intervalo entre o fim do pagamento da empresa e o requerimento tende a ficar sem cobertura.

O INSS exige ainda qualidade de segurado e, em regra, carência de 12 contribuições mensais (art. 25, I), dispensada em acidente de qualquer natureza e nas doenças graves listadas em ato ministerial (art. 26, II). O valor é de 91% do salário de benefício (art. 61) e não fica abaixo de um salário mínimo, R$ 1.621 em 2026 (art. 33). O passo a passo está no guia completo de como solicitar, e a expectativa de prazo em quanto tempo costuma demorar para receber.

Sem perícia presencial, o benefício dura no máximo 30 dias

O exame médico-pericial pode ser feito por telemedicina ou por análise documental, nos termos do art. 60, §11-A da Lei 8.213/91 — é o caminho que o INSS operacionaliza no Atestmed, em que o segurado anexa atestado e laudos sem ir à agência.

O que mudou foi a duração. A Lei 15.265/2025, no art. 31, inseriu o §11-F: o benefício concedido por análise documental “não poderá exceder ao prazo de 30 (trinta) dias”. O §11-G submete a perícia presencial ou por telemedicina o que passar disso. A lei vigora desde a publicação, em 21 de novembro de 2025. Em agosto de 2026, a página de serviço do INSS sobre o benefício ainda informava prazo de até 90 dias para a concessão via Atestmed; quem se guiar por ela pode estranhar a data de cessação que vier na carta.

O que anexar, no Atestmed ou na perícia presencial

  • Documento de identidade com foto e CPF.
  • Atestado legível, com data, assinatura, identificação do médico e o período recomendado.
  • Laudos, exames e receitas que sustentem o diagnóstico e mostrem o tratamento em curso.
  • Comprovante de vínculo — carteira de trabalho digital, contracheque — para quem é CLT.
  • Comprovante de residência e os dados bancários do pagamento.

Como se preparar está no guia sobre a perícia do INSS. Quem não é segurado e tem renda familiar baixa pode ter outro caminho aberto pela mesma situação de saúde, o BPC/LOAS, que independe de contribuição.

A concessão já vem com data de vencimento

Concedido o benefício, o INSS fixa a data de cessação (DCB) — o dia em que o pagamento para e você é esperado de volta ao trabalho. O art. 60, §8º da Lei 8.213/91 manda que o ato de concessão fixe, sempre que possível, o prazo estimado de duração. Sem esse prazo, o §9º faz o benefício cessar em 120 dias, salvo se o segurado pedir prorrogação, “na forma do regulamento”.

Continuando incapaz, o pedido de prorrogação é feito pelo Meu INSS antes de a DCB chegar — depois dela vira novo requerimento, com nova data de início. A janela exata para apresentá-lo vem de norma do INSS, não da Lei 8.213/91, e está na página sobre prorrogação do auxílio-doença. Se o pedido for indeferido, o próximo movimento está em como recorrer da negativa do INSS. Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso por um profissional.

❓ Perguntas Frequentes

O RH disse que meu atestado é falta justificada pelo art. 473 da CLT. Está certo?

A base é outra. A doença do próprio empregado não está entre as doze hipóteses do art. 473 da CLT — quem justifica a falta por doença é a Lei 605/1949, art. 6º, §1º, alínea “f”. O efeito prático é o mesmo; a citação certa pesa quando a discussão vai para o papel.

Meu atestado foi de 10 dias e um mês depois adoeci da mesma coisa. Recomeça a contagem?

Não. Pelo Decreto 3.048/1999, art. 75, §5º (redação do Decreto 10.410/2020), os períodos se somam quando o novo afastamento pelo mesmo motivo ocorre em até 60 dias do retorno: o benefício passa a ser devido no dia seguinte ao que o total fechar quinze dias. Se você já tinha cumprido os quinze e voltou no 16º, o §4º manda pagar desde o novo afastamento.

Recebi o benefício sem perícia e o prazo veio curto. Por quê?

Porque foi concedido por análise documental. Desde a Lei 15.265/2025, o art. 60, §11-F da Lei 8.213/91 limita esse benefício a 30 dias, e o §11-G manda submeter a perícia presencial ou por telemedicina o que passar disso. Vale desde 21 de novembro de 2025.

Fiquei três meses afastado e só agora fui pedir. Recebo o período todo?

Dificilmente. O art. 60, §1º da Lei 8.213/91 manda contar o benefício da data de entrada do requerimento quando o segurado já está afastado há mais de trinta dias. Passado esse mês, o pagamento deixa de retroagir ao 16º dia, e o intervalo descoberto não se recupera depois.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

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