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Tendinite Dá Direito ao Auxílio-Doença? Veja os Requisitos

Atualizado em 28 de maio de 2026
9 min de leitura
Trabalhadora com tendinite ocupacional em avaliação médica para auxílio-doença
Tendinite (CID M65/M75/M77) pode dar direito ao auxílio-doença — Lei 8.213/1991 art. 59 + reconhecimento LER/DORT em 2026. Fonte: INSS.

📋 Revisado por: Equipe Jurídica Nosso Direito.
Conteúdo médico baseado em fontes oficiais: CID-10 (M65, M75, M77, M70), guidelines do INSS (Lei 8.213/91 e Decreto 3.048/99) e literatura médica de referência (Sociedade Brasileira de Reumatologia, Mayo Clinic, NIH MedlinePlus).

📅 Última atualização: 12 de maio de 2026.

O atestado por tendinite pode prescrever afastamento de 3 a 15 dias (média) para casos leves a moderados, ou 15 dias ou mais com possibilidade de auxílio-doença INSS para casos crônicos ou que exijam tratamento prolongado. O tempo exato depende da severidade, da profissão exercida e da avaliação médica. Abaixo, entenda os critérios técnicos, CIDs cobertos e como solicitar auxílio-doença se necessário.

Atestado de Tendinite: Quantos Dias?

Não existe um número fixo de dias para o atestado de tendinite — o tempo varia conforme a gravidade, a região afetada e a profissão do paciente. Em linhas gerais, a prática clínica e os parâmetros adotados pela perícia do INSS observam três faixas:

  • Casos leves (3 a 7 dias) — quadros agudos com boa resposta a anti-inflamatórios e repouso relativo. Atestado costuma ficar dentro dos primeiros dias pagos pelo empregador (CLT, art. 60, § 3º).
  • Casos moderados (7 a 15 dias) — necessitam fisioterapia e afastamento integral. Ainda permanecem sob responsabilidade da empresa nos 15 primeiros dias.
  • Casos graves ou crônicos (15 dias ou mais) — exigem tratamento prolongado, infiltrações ou cirurgia. A partir do 16º dia, o pagamento passa para o INSS via auxílio-doença (Lei 8.213/91, arts. 59 e 60).

⚠️ Importante: conforme a Sociedade Brasileira de Reumatologia, tendinites caracterizam-se por inflamação ou degeneração do tendão e devem ser confirmadas por exame físico e, quando indicado, ultrassonografia ou ressonância. O atestado deve incluir CID-10, tempo de afastamento e descrição funcional — sem esses elementos, a perícia do INSS pode indeferir o benefício.

Tendinite Dá Direito ao Auxílio-Doença?

Sim, a tendinite pode dar direito ao auxílio-doença do INSS. Para isso, o segurado precisa cumprir três requisitos principais, conforme os arts. 59 a 63 da Lei 8.213/91:

  • Qualidade de segurado — estar contribuindo ao INSS ou dentro do período de graça (até 12 meses após parar de contribuir, podendo chegar a 24 ou 36 meses em casos específicos, art. 15 da Lei 8.213/91)
  • Carência de 12 contribuições — ter pago pelo menos 12 meses ao INSS antes do início da incapacidade (dispensada quando a tendinite é doença ocupacional, art. 26, II da Lei 8.213/91)
  • Incapacidade temporária comprovada — apresentar laudo médico atestando que a tendinite impede o trabalho por mais de 15 dias consecutivos

Atenção: primeiros 15 dias

Para trabalhadores CLT, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa (CLT, art. 60, § 3º). O auxílio-doença do INSS começa a partir do 16º dia. O valor é de 91% do salário de benefício, com piso de R$ 1.621 (salário mínimo de 2026).

Tipos de Tendinite e CIDs Aceitos pelo INSS

A tendinite pode afetar diferentes articulações e cada tipo possui um CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, OMS) específico. Segundo a base oficial do ICD-10 (WHO), os CIDs mais comuns em pedidos de auxílio-doença por tendinite são:

  • M65 — Sinovite e tenossinovite (tendinite no punho e mão, incluindo dedo em gatilho)
  • M75 — Lesões do ombro (tendinite do supraespinhal, bursite subacromial, síndrome do manguito rotador)
  • M77 — Outras entesopatias (epicondilite lateral — tendinite no cotovelo, popularmente chamada de cotovelo de tenista)
  • M70 — Transtornos de tecidos moles relacionados ao uso, uso excessivo e pressão (tenossinovite de De Quervain, bursites por sobrecarga ocupacional)

O CID no atestado médico ajuda a identificar a condição na perícia, mas o que realmente determina a concessão do auxílio-doença é a gravidade da incapacidade e seu impacto nas atividades profissionais do segurado. De acordo com a Mayo Clinic, tendinites tendem a regredir em poucas semanas com tratamento conservador (repouso, gelo, anti-inflamatórios, fisioterapia), mas casos crônicos ou ocupacionais podem evoluir para tendinopatias degenerativas — justamente as situações que demandam afastamento prolongado.

Quando a Tendinite É Doença do Trabalho (LER/DORT)

Quando a tendinite é causada ou agravada pelas atividades profissionais, ela pode ser classificada como LER (Lesão por Esforço Repetitivo) ou DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho). Essa classificação faz diferença significativa nos direitos do trabalhador.

Diferença entre B31 e B91

O auxílio-doença B31 (comum) é concedido quando a tendinite não tem relação com o trabalho. O auxílio-doença B91 (acidentário) é concedido quando há nexo com a atividade profissional. No B91, o trabalhador tem dispensa de carência (art. 26, II), depósito de FGTS durante o afastamento e estabilidade de 12 meses no emprego após a alta (Lei 8.213/91, art. 118).

Para que a tendinite seja reconhecida como doença do trabalho, é fundamental que a empresa emita a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Se a empresa se recusar, o próprio trabalhador, o sindicato ou o médico podem emiti-la, conforme o Decreto 3.048/99 (art. 336). Profissões com maior risco incluem digitadores, operadores de caixa, trabalhadores de linha de montagem e profissionais que realizam movimentos repetitivos.

Exemplo prático

Carlos, 38 anos, operador de caixa em supermercado há 10 anos, desenvolveu tendinite no punho direito (CID M65.9) por causa dos movimentos repetitivos no trabalho. Com laudo do ortopedista atestando o nexo com a atividade profissional e a CAT emitida pela empresa, conseguiu o auxílio-doença na espécie B91. Além do benefício, manteve o depósito do FGTS e, após a alta, teve 12 meses de estabilidade no emprego.

Documentos e Dicas para a Perícia

Para solicitar o auxílio-doença por tendinite pelo Meu INSS, reúna a seguinte documentação:

  • Laudo do ortopedista ou reumatologista com CID, data de início dos sintomas, descrição das limitações funcionais e tempo estimado de afastamento
  • Exames de imagem — ultrassonografia ou ressonância magnética do tendão afetado
  • CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), se a tendinite for relacionada ao trabalho
  • Atestado médico com mais de 15 dias de afastamento
  • Receitas médicas dos medicamentos e sessões de fisioterapia em andamento
  • Documento de identidade, CPF e carteira de trabalho ou comprovante de contribuição

Dica para a perícia

Leve exames de imagem recentes — a ultrassonografia e a ressonância são fundamentais para comprovar a inflamação do tendão. Se a tendinite for ocupacional, inclua descrição das atividades que realiza no trabalho. Laudos que detalham as limitações funcionais (dificuldade para segurar objetos, digitar, elevar o braço) têm mais peso do que apenas o diagnóstico isolado.

O pedido é feito pelo site ou aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135. Para o passo a passo completo, consulte nosso guia completo de como solicitar o auxílio-doença. Se o benefício for negado, saiba como recorrer da decisão do INSS.

Fontes Médicas e Clínicas

Este conteúdo se apoia em fontes oficiais reconhecidas internacional e nacionalmente para classificação de doenças, guidelines clínicos e orientações ao paciente. Sempre que houver afirmação médica, ela está respaldada nas referências abaixo:

  • CID-10 M65 — Sinovite e tenossinovite — OMS / ICD-10 Browser (icd.who.int)
  • CID-10 M75 — Lesões do ombro — OMS / ICD-10 Browser (icd.who.int)
  • CID-10 M77 — Outras entesopatias — OMS / ICD-10 Browser (icd.who.int)
  • CID-10 M70 — Transtornos por uso excessivo — OMS / ICD-10 Browser (icd.who.int)
  • Mayo Clinic — Tendinitis overview (mayoclinic.org)
  • NIH MedlinePlus — Tendinitis (medlineplus.gov)
  • Sociedade Brasileira de Reumatologia — Orientações ao paciente (reumatologia.org.br)
  • Lei 8.213/91 — Lei de Benefícios da Previdência Social (planalto.gov.br)
  • Decreto 3.048/99 — Regulamento da Previdência Social (planalto.gov.br)

Observação clínica: as orientações deste artigo não substituem a consulta com médico assistente. O diagnóstico, a duração do afastamento e a indicação de tratamento variam caso a caso e devem seguir avaliação individual de um profissional habilitado.

Não É Segurado do INSS? Conheça o BPC

Se você não tem carteira assinada, nunca contribuiu ao INSS ou perdeu a qualidade de segurado, a tendinite não dará direito ao auxílio-doença — mas pode dar direito ao BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada). O BPC é um benefício assistencial no valor de R$ 1.621 (valor de 2026) destinado a pessoas com deficiência que comprovem impedimento de longo prazo e renda familiar per capita de até 1/4 do salário mínimo.

Casos graves de tendinite crônica ou LER/DORT com sequelas permanentes podem ser considerados impedimento de longo prazo para fins de BPC. Para mais informações, consulte nosso guia completo sobre auxílio-doença ou acesse a página principal sobre o BPC/LOAS.

📅 Última atualização: 12 de maio de 2026 — Equipe Jurídica Nosso Direito.

As informações deste artigo são de caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional. Cada caso de tendinite é único, e a concessão do auxílio-doença depende da avaliação individual do INSS. Consulte um advogado especializado em direito previdenciário para analisar o seu caso.

💬 Tem dúvidas se você se encaixa nos requisitos?

Nosso canal está aberto para esclarecer suas dúvidas sobre este benefício.

❓ Perguntas Frequentes

Atestado de tendinite vale quantos dias?

O atestado por tendinite pode prescrever afastamento de 3 a 15 dias para casos leves a moderados, ou 15 dias ou mais quando há indicação de auxílio-doença INSS para casos crônicos ou tratamento prolongado. O tempo exato depende da severidade (dor, limitação funcional, exames de imagem), da profissão do segurado e da avaliação do médico assistente. Para afastamentos acima de 15 dias consecutivos em trabalhadores CLT, a partir do 16º dia o pagamento passa a ser do INSS (auxílio por incapacidade temporária).

Tendinite dá direito a auxílio-doença do INSS?

Sim, a tendinite pode dar direito ao auxílio-doença (auxílio por incapacidade temporária), desde que o segurado comprove incapacidade temporária para o trabalho por meio de laudo médico e seja aprovado na perícia do INSS. É necessário ter qualidade de segurado e, em regra, 12 contribuições de carência — salvo quando a tendinite for reconhecida como doença ocupacional (B91), caso em que a carência é dispensada (Lei 8.213/91, art. 26, II).

Tendinite causada pelo trabalho (LER/DORT) dá mais direitos?

Sim. Quando a tendinite é reconhecida como doença do trabalho (LER/DORT), o benefício é concedido na espécie B91 em vez de B31. Isso garante vantagens importantes: dispensa de carência, depósito de FGTS durante o afastamento e estabilidade de 12 meses no emprego após o retorno (Lei 8.213/91, art. 118). Para isso, é fundamental que a empresa emita a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).

Como o INSS avalia tendinite crônica?

O INSS avalia tendinite crônica com base em (i) laudo médico atualizado com CID-10 (M65, M75, M77 ou M70), (ii) exames de imagem (ultrassonografia ou ressonância) comprovando a inflamação/lesão do tendão, (iii) descrição das limitações funcionais e (iv) histórico de tratamentos realizados (fisioterapia, medicação, infiltrações). Quanto maior a documentação técnica e o tempo de tratamento sem resposta, maior a chance de a perícia reconhecer a incapacidade temporária.

Posso recorrer se o INSS negar auxílio por tendinite?

Sim. Em caso de negativa, o segurado pode pedir reconsideração via Meu INSS em até 30 dias e, se mantida, apresentar recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) no mesmo prazo. Reúna novos exames, laudo detalhado do especialista (ortopedista ou reumatologista) e descrição das funções no trabalho. Se o recurso administrativo falhar, é possível ajuizar ação na Justiça Federal — geralmente com pedido de perícia judicial. Consulte nosso guia de como recorrer.

Qual o CID-10 da tendinite?

A tendinite é classificada principalmente nos códigos M65 (sinovite e tenossinovite), M75 (lesões do ombro, incluindo manguito rotador), M77 (outras entesopatias, como epicondilite lateral / cotovelo de tenista) e M70 (transtornos de tecidos moles relacionados ao uso excessivo, como De Quervain). O CID exato consta no atestado e é parte do dossiê analisado pela perícia do INSS.

Tendinite por LER/DORT tem direitos diferentes?

Sim. Quando há nexo entre a tendinite e a atividade profissional (LER/DORT), o trabalhador tem direito ao auxílio-doença acidentário (B91), com dispensa de carência, FGTS depositado durante o afastamento e estabilidade de 12 meses após a alta (Lei 8.213/91, art. 118). Profissões mais expostas: digitadores, operadores de caixa, linha de montagem, costureiras e profissionais que executam movimentos repetitivos.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

Importante: Sempre consulte as fontes oficiais mais recentes, pois as normas podem ser atualizadas. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui orientação jurídica especializada.

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