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Tendinite Dá Direito ao Auxílio-Doença? Veja os Requisitos

Atualizado em 8 de abril de 2026
5 min de leitura
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Trabalhadora em consulta médica para avaliação de tendinite ocupacional.

Uma das dúvidas mais frequentes entre trabalhadores que sofrem com dores nos membros superiores é: tendinite dá direito ao auxílio-doença? A resposta é sim — a tendinite pode dar direito ao auxílio-doença (oficialmente chamado de auxílio por incapacidade temporária), desde que a condição cause incapacidade temporária para o trabalho e o segurado cumpra os requisitos da Lei 8.213/91. A tendinite é uma das causas mais comuns de afastamento pelo INSS, especialmente quando relacionada ao trabalho (LER/DORT).

Tendinite Dá Direito ao Auxílio-Doença?

Sim, a tendinite pode dar direito ao auxílio-doença do INSS. Para isso, o segurado precisa cumprir três requisitos principais, conforme os arts. 59 a 63 da Lei 8.213/91:

  • Qualidade de segurado — estar contribuindo ao INSS ou dentro do período de graça (até 12 meses após parar de contribuir, podendo chegar a 24 ou 36 meses em casos específicos)
  • Carência de 12 contribuições — ter pago pelo menos 12 meses ao INSS antes do início da incapacidade (dispensada quando a tendinite é doença ocupacional)
  • Incapacidade temporária comprovada — apresentar laudo médico atestando que a tendinite impede o trabalho por mais de 15 dias consecutivos

Atenção: primeiros 15 dias

Para trabalhadores CLT, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa. O auxílio-doença do INSS começa a partir do 16º dia. O valor é de 91% do salário de benefício, com piso de R$ 1.621 (salário mínimo de 2026).

Tipos de Tendinite e CIDs Aceitos pelo INSS

A tendinite pode afetar diferentes articulações e cada tipo possui um CID (Classificação Internacional de Doenças) específico. Os mais comuns em pedidos de auxílio-doença são:

  • M65 — Sinovite e tenossinovite (tendinite no punho e mão, incluindo dedo em gatilho)
  • M75 — Lesões do ombro (tendinite do supraespinhal, bursite subacromial, síndrome do manguito rotador)
  • M77 — Outras entesopatias (epicondilite lateral — tendinite no cotovelo, popularmente chamada de cotovelo de tenista)
  • M70 — Transtornos de tecidos moles relacionados ao uso excessivo (tenossinovite de De Quervain)

O CID no atestado médico ajuda a identificar a condição na perícia, mas o que realmente determina a concessão do auxílio-doença é a gravidade da incapacidade e seu impacto nas atividades profissionais do segurado.

Quando a Tendinite É Doença do Trabalho (LER/DORT)

Quando a tendinite é causada ou agravada pelas atividades profissionais, ela pode ser classificada como LER (Lesão por Esforço Repetitivo) ou DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho). Essa classificação faz diferença significativa nos direitos do trabalhador.

Diferença entre B31 e B91

O auxílio-doença B31 (comum) é concedido quando a tendinite não tem relação com o trabalho. O auxílio-doença B91 (acidentário) é concedido quando há nexo com a atividade profissional. No B91, o trabalhador tem dispensa de carência, depósito de FGTS durante o afastamento e estabilidade de 12 meses no emprego após a alta.

Para que a tendinite seja reconhecida como doença do trabalho, é fundamental que a empresa emita a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Se a empresa se recusar, o próprio trabalhador, o sindicato ou o médico podem emiti-la, conforme o Decreto 3.048/99. Profissões com maior risco incluem digitadores, operadores de caixa, trabalhadores de linha de montagem e profissionais que realizam movimentos repetitivos.

Exemplo prático

Carlos, 38 anos, operador de caixa em supermercado há 10 anos, desenvolveu tendinite no punho direito (CID M65.9) por causa dos movimentos repetitivos no trabalho. Com laudo do ortopedista atestando o nexo com a atividade profissional e a CAT emitida pela empresa, conseguiu o auxílio-doença na espécie B91. Além do benefício, manteve o depósito do FGTS e, após a alta, teve 12 meses de estabilidade no emprego.

Documentos e Dicas para a Perícia

Para solicitar o auxílio-doença por tendinite pelo Meu INSS, reúna a seguinte documentação:

  • Laudo do ortopedista com CID, data de início dos sintomas, descrição das limitações funcionais e tempo estimado de afastamento
  • Exames de imagem — ultrassonografia ou ressonância magnética do tendão afetado
  • CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), se a tendinite for relacionada ao trabalho
  • Atestado médico com mais de 15 dias de afastamento
  • Receitas médicas dos medicamentos e sessões de fisioterapia em andamento
  • Documento de identidade, CPF e carteira de trabalho ou comprovante de contribuição

Dica para a perícia

Leve exames de imagem recentes — a ultrassonografia e a ressonância são fundamentais para comprovar a inflamação do tendão. Se a tendinite for ocupacional, inclua descrição das atividades que realiza no trabalho. Laudos que detalham as limitações funcionais (dificuldade para segurar objetos, digitar, elevar o braço) têm mais peso do que apenas o diagnóstico isolado.

O pedido é feito pelo site ou aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135. Para o passo a passo completo, consulte nosso guia completo de como solicitar o auxílio-doença. Se o benefício for negado, saiba como recorrer da decisão do INSS.

Não É Segurado do INSS? Conheça o BPC

Se você não tem carteira assinada, nunca contribuiu ao INSS ou perdeu a qualidade de segurado, a tendinite não dará direito ao auxílio-doença — mas pode dar direito ao BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada). O BPC é um benefício assistencial no valor de R$ 1.621 (valor de 2026) destinado a pessoas com deficiência que comprovem impedimento de longo prazo e renda familiar per capita de até 1/4 do salário mínimo.

Casos graves de tendinite crônica ou LER/DORT com sequelas permanentes podem ser considerados impedimento de longo prazo para fins de BPC. Para mais informações, consulte nosso guia completo sobre auxílio-doença ou acesse a página principal sobre o BPC/LOAS.

As informações deste artigo são de caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional. Cada caso de tendinite é único, e a concessão do auxílio-doença depende da avaliação individual do INSS. Consulte um advogado especializado em direito previdenciário para analisar o seu caso.

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❓ Perguntas Frequentes

Tendinite dá direito ao auxílio-doença do INSS?

Sim, a tendinite pode dar direito ao auxílio-doença (auxílio por incapacidade temporária), desde que o segurado comprove incapacidade temporária para o trabalho por meio de laudo médico e seja aprovado na perícia do INSS. É necessário ter qualidade de segurado e, em regra, 12 contribuições de carência — salvo quando a tendinite for reconhecida como doença ocupacional (B91), caso em que a carência é dispensada.

Tendinite causada pelo trabalho (LER/DORT) dá mais direitos?

Sim. Quando a tendinite é reconhecida como doença do trabalho (LER/DORT), o benefício é concedido na espécie B91 em vez de B31. Isso garante vantagens importantes: dispensa de carência, depósito de FGTS durante o afastamento e estabilidade de 12 meses no emprego após o retorno. Para isso, é fundamental que a empresa emita a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).

Quanto tempo o INSS afasta por tendinite?

O tempo de afastamento varia conforme a gravidade e a resposta ao tratamento. Em muitos casos, o INSS concede o auxílio-doença por tendinite por períodos de 30 a 90 dias, podendo ser prorrogado se o segurado ainda estiver incapaz. A alta programada define a data de cessação, mas é possível pedir prorrogação pelo Meu INSS antes do término.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

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