Fratura com Sequela Dá Direito ao BPC?

Orientação sobre direitos ao BPC para pessoas com sequelas de fraturas
Resposta rápida: Sim, fraturas que deixaram sequelas permanentes podem dar direito ao BPC quando causam impedimentos de longo prazo (mínimo 2 anos) que afetam a participação social. Sequelas como limitação de movimento, dor crônica, encurtamento de membro ou necessidade de auxílio para locomoção são exemplos. O valor é de R$ 1.621 mensais e exige renda familiar per capita de até R$ 405,25.
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🔍 O que é considerado sequela para o BPC?
Para o BPC, não basta ter sofrido uma fratura — é preciso que ela tenha deixado consequências permanentes que limitam sua capacidade funcional. A legislação fala em “impedimentos de longo prazo” com duração mínima de 2 anos.
Exemplos de sequelas reconhecidas
- •Limitação de movimento — articulação que não dobra ou estica completamente
- •Encurtamento de membro — perna ou braço mais curto que o outro
- •Pseudoartrose — fratura que não consolidou e permanece instável
- •Dor crônica — dor persistente que limita atividades diárias
- •Deformidade — osso que consolidou em posição errada (mal união)
- •Lesão nervosa — perda de sensibilidade ou força por dano a nervos
- •Necessidade de auxílio — uso permanente de muletas, cadeira de rodas ou órteses
⚠️ Importante
Fraturas que consolidaram bem e não deixaram limitações funcionais não dão direito ao BPC, mesmo que tenham sido graves na época. O que importa é a situação atual e se há impedimentos de longo prazo.
🦴 Tipos de fraturas que mais geram sequelas
Algumas fraturas têm maior probabilidade de deixar sequelas permanentes, especialmente quando são complexas, articulares ou envolvem estruturas críticas:
Fraturas de membros inferiores
- •Fratura de fêmur — especialmente em idosos, pode gerar encurtamento e limitação de quadril
- •Fratura de platô tibial — compromete a articulação do joelho
- •Fratura de tornozelo (maléolos) — pode causar artrose e dor crônica
- •Fratura de calcâneo — frequentemente deixa dor persistente ao caminhar
Fraturas de membros superiores
- •Fratura de úmero proximal — pode limitar movimentos do ombro
- •Fratura de cotovelo (olécrano) — risco de rigidez articular
- •Fratura de punho (rádio distal) — pode causar limitação de movimento e dor
Fraturas de coluna
- •Fratura vertebral — pode causar dor crônica, cifose ou lesão medular
- •Fratura com lesão medular — paraplegia ou tetraplegia (casos graves)
💡 Casos com maiores chances
Fraturas que envolvem articulações (joelho, quadril, tornozelo, cotovelo) têm maior chance de deixar sequelas porque qualquer irregularidade na superfície articular pode causar artrose precoce e dor crônica.
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⚖️ A origem do acidente importa?
Para o BPC especificamente, a causa do acidente não importa. Seja acidente de trânsito, trabalho, queda ou qualquer outra situação, o que o BPC avalia é:
- 1.Se há impedimentos de longo prazo (mínimo 2 anos)
- 2.Se esses impedimentos obstruem a participação social
- 3.Se a renda familiar per capita é de até R$ 405,25
💡 Mas a origem pode dar outros direitos!
Embora não afete o BPC, a origem do acidente pode gerar direitos adicionais:
- •Acidente de trabalho → auxílio-acidente, aposentadoria por invalidez acidentária (valores maiores), estabilidade no emprego
- •Acidente de trânsito → DPVAT (quando aplicável), indenização do responsável
- •Queda em estabelecimento → indenização por responsabilidade civil
Se você contribuiu para o INSS, avalie se benefícios previdenciários (auxílio-doença, aposentadoria por invalidez) não são mais vantajosos que o BPC. O BPC é para quem nunca contribuiu ou não tem carência.
📋 Como comprovar a sequela
A comprovação é fundamental para conseguir o BPC. Você precisará demonstrar que a fratura deixou limitações permanentes que afetam sua vida.
Documentos médicos essenciais
- •Laudo médico detalhado — descrevendo a sequela, limitações funcionais e prognóstico
- •Radiografias/tomografias atuais — mostrando a consolidação da fratura e eventuais deformidades
- •Relatório cirúrgico — se fez cirurgia, descrever o procedimento e resultado
- •Relatório de fisioterapia — mostrando evolução e limitações persistentes
- •Receitas médicas — medicamentos para dor ou outras condições relacionadas
O que o laudo deve conter
- 1.CID da sequela — T91, T92, T93 ou CIDs específicos da condição
- 2.Descrição das limitações — amplitude de movimento, força muscular, dor
- 3.Impacto funcional — o que você não consegue fazer por causa da sequela
- 4.Prognóstico — se a condição é permanente ou reversível
- 5.Data e assinatura do médico com CRM
⚠️ Dica importante
Peça ao médico que descreva as limitações funcionais, não apenas o diagnóstico. “Sequela de fratura de fêmur” diz pouco; “sequela de fratura de fêmur com encurtamento de 3cm, claudicação e impossibilidade de permanecer em pé por mais de 30 minutos” é muito mais útil para a avaliação.
📝 Passo a passo para solicitar
Se você tem sequela permanente de fratura e atende aos requisitos, siga este roteiro:
1. Organize sua documentação
- •Documentos pessoais (RG, CPF, comprovante de residência)
- •CPF de todos os membros da família
- •NIS ou inscrição no CadÚnico
- •Laudos médicos, exames de imagem e relatórios
- •Comprovantes de renda de toda a família
2. Cadastre-se no CadÚnico
Se ainda não tem cadastro, procure o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) mais próximo. O CadÚnico é obrigatório para o BPC.
3. Solicite pelo Meu INSS
- 1.Acesse meu.inss.gov.br ou o aplicativo Meu INSS
- 2.Selecione: Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência
- 3.Anexe os documentos solicitados
- 4.Aguarde o agendamento das avaliações
4. Compareça às avaliações
- •Avaliação social — análise da composição familiar e renda
- •Avaliação médica — perícia que avalia os impedimentos físicos
- •Avaliação biopsicossocial — análise das barreiras à participação social
Para dicas sobre a perícia, consulte nosso guia de como se preparar para a perícia médica do BPC.
📌 Resumo: quando fratura com sequela dá direito ao BPC
- •A sequela deve causar impedimentos de longo prazo (mínimo 2 anos)
- •Deve haver limitação funcional real (não apenas cicatriz ou material de síntese)
- •Os impedimentos devem obstruir a participação social
- •A renda familiar deve ser de até R$ 405,25 por pessoa
- •A origem do acidente não importa para o BPC
- •Documentação médica detalhada é fundamental
Fraturas com sequelas permanentes são situações claras de deficiência física que podem dar direito ao BPC. Se você sofreu um acidente que deixou limitações permanentes e sua família tem renda baixa, não deixe de buscar esse direito. Em caso de negativa, você pode recorrer administrativamente ou na Justiça.
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❓ Perguntas Frequentes
Sofri um acidente e fiquei com sequela na perna. Tenho direito ao BPC?
Fratura consolidada com deformidade dá direito ao BPC?
Coloquei pinos/placas após fratura. Isso me dá direito ao BPC?
Qual o CID de fratura com sequela para o BPC?
Recebi indenização do seguro pelo acidente. Ainda posso pedir BPC?
O acidente foi culpa de terceiro. Isso muda algo para o BPC?
Tenho sequela de fratura mas ainda trabalho. Posso pedir BPC?
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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais
Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.
INSS - BPC Pessoa com Deficiência
Lei nº 8.742/1993 - LOAS
Decreto nº 6.214/2007
Cartilha BPC Oficial (Maio/2024)
Importante: Sempre consulte as fontes oficiais mais recentes, pois as normas podem ser atualizadas. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui orientação jurídica especializada.
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