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Fratura com Sequela Dá Direito ao BPC?

Atualizado em 19 de janeiro de 2026
6 min de leitura
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Orientação sobre direitos ao BPC para pessoas com sequelas de fraturas

Resposta rápida: Sim, fraturas que deixaram sequelas permanentes podem dar direito ao BPC quando causam impedimentos de longo prazo (mínimo 2 anos) que afetam a participação social. Sequelas como limitação de movimento, dor crônica, encurtamento de membro ou necessidade de auxílio para locomoção são exemplos. O valor é de R$ 1.621 mensais e exige renda familiar per capita de até R$ 405,25.

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🔍 O que é considerado sequela para o BPC?

Para o BPC, não basta ter sofrido uma fratura — é preciso que ela tenha deixado consequências permanentes que limitam sua capacidade funcional. A legislação fala em “impedimentos de longo prazo” com duração mínima de 2 anos.

Exemplos de sequelas reconhecidas

  • Limitação de movimento — articulação que não dobra ou estica completamente
  • Encurtamento de membro — perna ou braço mais curto que o outro
  • Pseudoartrose — fratura que não consolidou e permanece instável
  • Dor crônica — dor persistente que limita atividades diárias
  • Deformidade — osso que consolidou em posição errada (mal união)
  • Lesão nervosa — perda de sensibilidade ou força por dano a nervos
  • Necessidade de auxílio — uso permanente de muletas, cadeira de rodas ou órteses

⚠️ Importante

Fraturas que consolidaram bem e não deixaram limitações funcionais não dão direito ao BPC, mesmo que tenham sido graves na época. O que importa é a situação atual e se há impedimentos de longo prazo.

🦴 Tipos de fraturas que mais geram sequelas

Algumas fraturas têm maior probabilidade de deixar sequelas permanentes, especialmente quando são complexas, articulares ou envolvem estruturas críticas:

Fraturas de membros inferiores

  • Fratura de fêmur — especialmente em idosos, pode gerar encurtamento e limitação de quadril
  • Fratura de platô tibial — compromete a articulação do joelho
  • Fratura de tornozelo (maléolos) — pode causar artrose e dor crônica
  • Fratura de calcâneo — frequentemente deixa dor persistente ao caminhar

Fraturas de membros superiores

  • Fratura de úmero proximal — pode limitar movimentos do ombro
  • Fratura de cotovelo (olécrano) — risco de rigidez articular
  • Fratura de punho (rádio distal) — pode causar limitação de movimento e dor

Fraturas de coluna

  • Fratura vertebral — pode causar dor crônica, cifose ou lesão medular
  • Fratura com lesão medular — paraplegia ou tetraplegia (casos graves)

💡 Casos com maiores chances

Fraturas que envolvem articulações (joelho, quadril, tornozelo, cotovelo) têm maior chance de deixar sequelas porque qualquer irregularidade na superfície articular pode causar artrose precoce e dor crônica.

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Nosso canal está aberto para esclarecer suas dúvidas sobre este benefício.

⚖️ A origem do acidente importa?

Para o BPC especificamente, a causa do acidente não importa. Seja acidente de trânsito, trabalho, queda ou qualquer outra situação, o que o BPC avalia é:

  • 1.
    Se há impedimentos de longo prazo (mínimo 2 anos)
  • 2.
    Se esses impedimentos obstruem a participação social
  • 3.
    Se a renda familiar per capita é de até R$ 405,25

💡 Mas a origem pode dar outros direitos!

Embora não afete o BPC, a origem do acidente pode gerar direitos adicionais:

  • Acidente de trabalho → auxílio-acidente, aposentadoria por invalidez acidentária (valores maiores), estabilidade no emprego
  • Acidente de trânsito → DPVAT (quando aplicável), indenização do responsável
  • Queda em estabelecimento → indenização por responsabilidade civil

Se você contribuiu para o INSS, avalie se benefícios previdenciários (auxílio-doença, aposentadoria por invalidez) não são mais vantajosos que o BPC. O BPC é para quem nunca contribuiu ou não tem carência.

📋 Como comprovar a sequela

A comprovação é fundamental para conseguir o BPC. Você precisará demonstrar que a fratura deixou limitações permanentes que afetam sua vida.

Documentos médicos essenciais

  • Laudo médico detalhado — descrevendo a sequela, limitações funcionais e prognóstico
  • Radiografias/tomografias atuais — mostrando a consolidação da fratura e eventuais deformidades
  • Relatório cirúrgico — se fez cirurgia, descrever o procedimento e resultado
  • Relatório de fisioterapia — mostrando evolução e limitações persistentes
  • Receitas médicas — medicamentos para dor ou outras condições relacionadas

O que o laudo deve conter

  • 1.
    CID da sequela — T91, T92, T93 ou CIDs específicos da condição
  • 2.
    Descrição das limitações — amplitude de movimento, força muscular, dor
  • 3.
    Impacto funcional — o que você não consegue fazer por causa da sequela
  • 4.
    Prognóstico — se a condição é permanente ou reversível
  • 5.
    Data e assinatura do médico com CRM

⚠️ Dica importante

Peça ao médico que descreva as limitações funcionais, não apenas o diagnóstico. “Sequela de fratura de fêmur” diz pouco; “sequela de fratura de fêmur com encurtamento de 3cm, claudicação e impossibilidade de permanecer em pé por mais de 30 minutos” é muito mais útil para a avaliação.

📝 Passo a passo para solicitar

Se você tem sequela permanente de fratura e atende aos requisitos, siga este roteiro:

1. Organize sua documentação

  • Documentos pessoais (RG, CPF, comprovante de residência)
  • CPF de todos os membros da família
  • NIS ou inscrição no CadÚnico
  • Laudos médicos, exames de imagem e relatórios
  • Comprovantes de renda de toda a família

2. Cadastre-se no CadÚnico

Se ainda não tem cadastro, procure o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) mais próximo. O CadÚnico é obrigatório para o BPC.

3. Solicite pelo Meu INSS

  • 1.
    Acesse meu.inss.gov.br ou o aplicativo Meu INSS
  • 2.
    Selecione: Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência
  • 3.
    Anexe os documentos solicitados
  • 4.
    Aguarde o agendamento das avaliações

4. Compareça às avaliações

  • Avaliação social — análise da composição familiar e renda
  • Avaliação médica — perícia que avalia os impedimentos físicos
  • Avaliação biopsicossocial — análise das barreiras à participação social

Para dicas sobre a perícia, consulte nosso guia de como se preparar para a perícia médica do BPC.

📌 Resumo: quando fratura com sequela dá direito ao BPC

  • A sequela deve causar impedimentos de longo prazo (mínimo 2 anos)
  • Deve haver limitação funcional real (não apenas cicatriz ou material de síntese)
  • Os impedimentos devem obstruir a participação social
  • A renda familiar deve ser de até R$ 405,25 por pessoa
  • A origem do acidente não importa para o BPC
  • Documentação médica detalhada é fundamental

Fraturas com sequelas permanentes são situações claras de deficiência física que podem dar direito ao BPC. Se você sofreu um acidente que deixou limitações permanentes e sua família tem renda baixa, não deixe de buscar esse direito. Em caso de negativa, você pode recorrer administrativamente ou na Justiça.

💬 Tem dúvidas se você se encaixa nos requisitos?

Nosso canal está aberto para esclarecer suas dúvidas sobre este benefício.

❓ Perguntas Frequentes

Sofri um acidente e fiquei com sequela na perna. Tenho direito ao BPC?

Depende da avaliação. Se a sequela causa impedimentos de longo prazo (mínimo 2 anos) que obstruem sua participação na sociedade, você pode ter direito. A sequela precisa ser permanente ou de difícil reversão, e você deve atender ao critério de renda familiar (até R$ 405,25 per capita).

Fratura consolidada com deformidade dá direito ao BPC?

Pode dar direito se a deformidade causar limitação funcional significativa. Uma fratura que consolidou em posição errada (mal união ou pseudoartrose) e gera dor crônica, limitação de movimento ou necessidade de auxílio para locomoção pode caracterizar deficiência para o BPC.

Coloquei pinos/placas após fratura. Isso me dá direito ao BPC?

Não automaticamente. A presença de material de síntese (pinos, placas, hastes) por si só não garante o BPC. O que importa é se você tem limitações funcionais permanentes mesmo após a cirurgia. Se a cirurgia resolveu o problema, não há impedimento de longo prazo.

Qual o CID de fratura com sequela para o BPC?

Não existe CID específico que garanta o BPC. Os CIDs de sequelas de fraturas mais comuns são T92 (sequelas de lesões do membro superior), T93 (sequelas de lesões do membro inferior) e T91 (sequelas de traumatismos da coluna). O que determina é a avaliação biopsicossocial.

Recebi indenização do seguro pelo acidente. Ainda posso pedir BPC?

Depende. Indenizações pontuais por acidente geralmente não impedem o BPC, mas o valor recebido pode ser considerado na análise de renda familiar se aumentou seu patrimônio ou renda mensal. Consulte a legislação específica sobre composição de renda familiar.

O acidente foi culpa de terceiro. Isso muda algo para o BPC?

Não muda para o BPC. O Benefício de Prestação Continuada é assistencial e não analisa culpa ou responsabilidade pelo acidente. O que importa é a existência de impedimentos de longo prazo e o critério de renda. Porém, você pode ter outros direitos contra o responsável (indenização civil).

Tenho sequela de fratura mas ainda trabalho. Posso pedir BPC?

É mais difícil, mas não impossível. Se você trabalha, pode ser difícil demonstrar que os impedimentos obstruem sua participação social. No entanto, se você trabalha em função adaptada, com limitações significativas, ou se o trabalho agrava sua condição, documente isso. Ao receber BPC, ele pode ser suspenso (não cancelado) se você voltar a trabalhar.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

Importante: Sempre consulte as fontes oficiais mais recentes, pois as normas podem ser atualizadas. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui orientação jurídica especializada.

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