Quem Tem Esquizofrenia Tem Direito à Aposentadoria por Invalidez?

Apoio especializado na busca pela aposentadoria por invalidez para portadores de esquizofrenia.
A esquizofrenia é um dos transtornos mentais mais incapacitantes e uma das principais causas de aposentadoria por invalidez no Brasil. A resposta para a pergunta-título é sim: quem tem esquizofrenia pode se aposentar por incapacidade permanente pelo INSS — desde que a doença cause incapacidade total e permanente para o trabalho, comprovada por perícia médica. Além disso, a esquizofrenia pode ser enquadrada na categoria alienação mental do art. 151 da Lei 8.213/91, dispensando o tempo mínimo de contribuição (carência). Neste guia, explicamos todos os requisitos, o valor do benefício, alternativas como o BPC/LOAS e como solicitar.
🔍 Esquizofrenia Dá Direito à Aposentadoria por Invalidez?
A aposentadoria por invalidez (hoje chamada de aposentadoria por incapacidade permanente) pode ser concedida a portadores de esquizofrenia quando o transtorno tornar o segurado totalmente incapaz de exercer qualquer trabalho e sem possibilidade de reabilitação profissional.
A esquizofrenia (CID-10 F20) é reconhecida pelo INSS como uma das condições psiquiátricas que mais frequentemente resultam em aposentadoria por incapacidade, ao lado de transtornos esquizoafetivos, episódios depressivos graves e transtorno bipolar.
⚠️ O diagnóstico não garante automaticamente o benefício
O INSS não concede aposentadoria apenas pelo CID F20. É necessário que a perícia médica federal conclua que a esquizofrenia causa incapacidade funcional para o trabalho. Alguns portadores conseguem manter atividade profissional com tratamento adequado — nesses casos, outros benefícios podem ser mais indicados.
⏱️ Alienação Mental: Isenção de Carência
Normalmente, a aposentadoria por incapacidade permanente exige 12 meses de contribuição ao INSS (carência). Porém, o art. 151 da Lei nº 8.213/1991 lista doenças graves que dispensam essa exigência. A alienação mental está expressamente incluída nessa lista. A lei não cita a esquizofrenia pelo nome, mas a perícia médica do INSS pode enquadrar a esquizofrenia nessa categoria, dispensando a carência.
Isso significa que, mesmo que o segurado tenha feito apenas uma contribuição ao INSS, terá direito ao benefício se comprovar a incapacidade total e permanente por esquizofrenia. Basta ter qualidade de segurado (estar contribuindo ou dentro do período de graça) quando a incapacidade se manifestar.
💡 Quais doenças dispensam carência?
Além da alienação mental (na qual a esquizofrenia pode ser enquadrada), a lista do art. 151 contempla: tuberculose ativa, hanseníase, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível, cardiopatia grave, doença de Parkinson, esclerose múltipla, hepatopatia grave, AIDS, nefropatia grave, contaminação por radiação, espondiloartrose anquilosante e doença de Paget avançada.
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Nosso canal está aberto para esclarecer suas dúvidas sobre este benefício.
📋 Requisitos para a Aposentadoria
Para obter a aposentadoria por incapacidade permanente sendo portador de esquizofrenia, é necessário comprovar:
- 1.Qualidade de segurado: estar contribuindo ao INSS ou dentro do período de graça no momento em que a incapacidade se manifestou
- 2.Incapacidade total e permanente: comprovada pela perícia médica federal — o segurado deve estar impossibilitado de exercer qualquer atividade profissional
- 3.Impossibilidade de reabilitação: o INSS deve concluir que o segurado não pode ser reabilitado para outra profissão
- 4.Carência dispensada: quando enquadrada como alienação mental pela perícia, não há exigência de tempo mínimo de contribuição
A importância da documentação médica
Em transtornos psiquiátricos como a esquizofrenia, a documentação médica é especialmente importante porque a incapacidade nem sempre é visível. Apresente:
- •Laudos psiquiátricos detalhados com histórico da doença
- •Avaliações neuropsicológicas (se disponíveis)
- •Relatórios de internações, se houver
- •Descrição do impacto funcional nas atividades diárias e profissionais
- •Lista de medicamentos em uso e sua eficácia
- •Relatórios de outros profissionais (psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais)
⚠️ Pré-existência
Se o segurado já tinha esquizofrenia antes de se filiar ao INSS, só terá direito ao benefício se a incapacidade decorrer de progressão ou agravamento do transtorno após a filiação (art. 26, §2º, da Lei nº 8.213/1991).
💰 Valor do Benefício
Após a Reforma da Previdência (EC nº 103/2019), a aposentadoria por incapacidade permanente segue a regra geral: 60% da média dos salários de contribuição + 2% por ano que exceder 20 anos de contribuição (homens) ou 15 anos (mulheres).
A exceção que garante 100% da média aplica-se apenas quando a incapacidade decorre de acidente de trabalho ou doença ocupacional (art. 26, §3º, da EC 103/2019). A esquizofrenia, por si só, não se enquadra nessa exceção — segue a regra geral.
| Situação | Cálculo do valor |
|---|---|
| Regra geral (inclui esquizofrenia) | 60% da média + 2% por ano excedente |
| Acidente de trabalho / doença ocupacional | 100% da média (integral) |
Adicional de 25% (grande invalidez)
Nos casos mais graves de esquizofrenia, em que o aposentado necessita de assistência permanente de outra pessoa para atividades básicas da vida diária (alimentação, higiene, locomoção), é possível solicitar um acréscimo de 25% sobre o valor do benefício — mesmo que o total ultrapasse o teto do INSS. Esse adicional é especialmente relevante em quadros com grave perturbação da vida orgânica e social, como previsto na legislação.
Reavaliação periódica
O INSS pode reavaliar aposentados por incapacidade a cada dois anos por meio de perícia médica. A Lei nº 13.063/2014 (que alterou o art. 101 da Lei 8.213/91) prevê hipóteses de dispensa dessa reavaliação, entre elas: segurados com 60 anos ou mais, e segurados com 55 anos ou mais que estejam em benefício por incapacidade há mais de 15 anos. Fora dessas hipóteses, o portador de esquizofrenia permanece sujeito às avaliações periódicas.
⚖️ Curatela e Representação Legal
Em casos graves de esquizofrenia, em que a pessoa não tem discernimento para praticar atos da vida civil, pode ser necessário instituir uma curatela judicial. Isso é importante tanto para solicitar o benefício quanto para administrá-lo.
Formas de representação perante o INSS
- •Curador: designado judicialmente por meio de processo de interdição. Apresenta sentença judicial ao INSS para ser cadastrado como representante legal
- •Administrador provisório: enquanto o processo de curatela tramita, familiares diretos (cônjuge, filhos, pais) podem representar o segurado mediante Termo de Compromisso válido por 6 meses, renovável
O cadastro do representante legal pode ser feito pelo portal do INSS ou presencialmente em agência, apresentando a documentação necessária (sentença judicial ou Termo de Compromisso, documentos de identidade de ambas as partes).
💡 Curatela não é sempre obrigatória
Nem todo portador de esquizofrenia precisa de curador. Se a pessoa mantém discernimento suficiente para seus atos, mesmo com o diagnóstico, pode solicitar e gerir o benefício por conta própria. A curatela só é necessária em quadros com comprometimento grave da autonomia.
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🛡️ Outros Benefícios e Direitos
Além da aposentadoria por incapacidade permanente, portadores de esquizofrenia podem ter acesso a outros benefícios:
1. Auxílio por Incapacidade Temporária (Auxílio-Doença)
Quando a esquizofrenia causa incapacidade temporária para o trabalho (afastamento superior a 15 dias), o segurado pode receber o auxílio-doença. Também é isento de carência por ser alienação mental. É concedido enquanto durar a incapacidade, podendo ser convertido em aposentadoria se a situação se tornar permanente.
2. BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada)
Para quem nunca contribuiu ao INSS ou perdeu a qualidade de segurado, existe o BPC/LOAS — benefício assistencial no valor de um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026). Requisitos:
- •Comprovar que a esquizofrenia gera impedimentos de longo prazo à participação na sociedade
- •Renda familiar per capita de até 1/4 do salário mínimo
- •Inscrição no CadÚnico (Cadastro Único) atualizada
- •Não exige contribuição prévia ao INSS
A esquizofrenia é uma das doenças que mais frequentemente garantem o BPC/LOAS, especialmente quando o portador comprova dificuldade de inserção no mercado de trabalho e vulnerabilidade econômica.
3. Isenção de Imposto de Renda
A Lei nº 7.713/1988 garante isenção do Imposto de Renda sobre proventos de aposentadoria, pensão e reforma para portadores de alienação mental. Como a esquizofrenia é classificada nessa categoria, o aposentado por incapacidade permanente tem direito à isenção. Ela vale apenas para rendimentos de inatividade (não para salários).
| Benefício | Exige contribuição? | Valor | Requisito principal |
|---|---|---|---|
| Aposentadoria (incapacidade) | Sim (sem carência) | 60% da média + 2%/ano excedente | Incapacidade total e permanente |
| Auxílio-doença | Sim (sem carência) | 91% do salário de benefício | Incapacidade temporária (+15 dias) |
| BPC/LOAS | Não | R$ 1.621 (1 salário mínimo) | Renda familiar até 1/4 do SM |
| Isenção de IR | — | Isenção sobre aposentadoria | Laudo médico (alienação mental) |
🚀 Como Solicitar no INSS
O processo pode ser feito pelo Meu INSS (pelo próprio segurado ou por seu representante legal):
Passo a passo
- 1.Acesse o portal Meu INSS ou o aplicativo
- 2.Faça login com conta Gov.br (do segurado ou do representante legal)
- 3.Selecione "Novo Pedido" e digite "incapacidade"
- 4.Escolha "Benefício por Incapacidade"
- 5.Preencha as informações e anexe toda a documentação médica
- 6.Agende e compareça à perícia médica na data indicada
Documentos necessários
- •Documento de identidade com foto e CPF do segurado
- •Laudos psiquiátricos detalhados com CID (F20 e subtipos)
- •Avaliações neuropsicológicas (se disponíveis)
- •Relatórios de internações e tratamentos realizados
- •Lista de medicamentos em uso com prescrição médica
- •Carteira de trabalho (para comprovar vínculo e contribuições)
- •Documentação do representante legal, se aplicável (sentença de curatela ou Termo de Compromisso)
✅ Dica para a perícia médica
A perícia psiquiátrica pode ser desafiadora. Se possível, leve um acompanhante (familiar ou representante legal) que possa relatar o cotidiano do segurado, as dificuldades enfrentadas e o impacto da doença na vida diária e profissional. Isso complementa a avaliação clínica do perito.
💡 Benefício negado?
Se o INSS negar o pedido, é possível entrar com recurso administrativo junto à Junta de Recursos ou buscar a via judicial. Em 2019, o TRF3 concedeu aposentadoria por invalidez com adicional de 25% a um segurado com esquizofrenia, reconhecendo a incapacidade total. Veja nosso guia sobre como recorrer quando a aposentadoria é negada. Para saber mais sobre o benefício de forma geral, consulte nosso guia sobre aposentadoria por incapacidade permanente.
❓ Perguntas Frequentes
Quem tem esquizofrenia tem direito à aposentadoria por invalidez?
Esquizofrenia dispensa o tempo mínimo de contribuição (carência)?
Qual o valor da aposentadoria por invalidez para quem tem esquizofrenia?
Quem tem esquizofrenia mas nunca contribuiu ao INSS tem algum direito?
Quem tem esquizofrenia precisa de curador para solicitar a aposentadoria?
Portador de esquizofrenia tem isenção de Imposto de Renda?
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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais
Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.
INSS - Aposentadoria por Incapacidade Permanente
Lei nº 8.213/1991 - Benefícios da Previdência Social
INSS - Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência (BPC/LOAS)
Receita Federal - Isenção por moléstia grave
INSS - Representação Legal
TRF3 - Decisão sobre aposentadoria por invalidez com esquizofrenia
Importante: Sempre consulte as fontes oficiais mais recentes, pois as normas podem ser atualizadas. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui orientação jurídica especializada.
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