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Quem Tem Esquizofrenia Tem Direito à Aposentadoria por Invalidez?

Atualizado em 9 de fevereiro de 2026
10 min de leitura
Profissional auxiliando pessoa com esquizofrenia e familiar na busca por aposentadoria por invalidez e direitos do INSS.

Apoio especializado na busca pela aposentadoria por invalidez para portadores de esquizofrenia.

A esquizofrenia é um dos transtornos mentais mais incapacitantes e uma das principais causas de aposentadoria por invalidez no Brasil. A resposta para a pergunta-título é sim: quem tem esquizofrenia pode se aposentar por incapacidade permanente pelo INSS — desde que a doença cause incapacidade total e permanente para o trabalho, comprovada por perícia médica. Além disso, a esquizofrenia pode ser enquadrada na categoria alienação mental do art. 151 da Lei 8.213/91, dispensando o tempo mínimo de contribuição (carência). Neste guia, explicamos todos os requisitos, o valor do benefício, alternativas como o BPC/LOAS e como solicitar.

🔍 Esquizofrenia Dá Direito à Aposentadoria por Invalidez?

A aposentadoria por invalidez (hoje chamada de aposentadoria por incapacidade permanente) pode ser concedida a portadores de esquizofrenia quando o transtorno tornar o segurado totalmente incapaz de exercer qualquer trabalho e sem possibilidade de reabilitação profissional.

A esquizofrenia (CID-10 F20) é reconhecida pelo INSS como uma das condições psiquiátricas que mais frequentemente resultam em aposentadoria por incapacidade, ao lado de transtornos esquizoafetivos, episódios depressivos graves e transtorno bipolar.

⚠️ O diagnóstico não garante automaticamente o benefício

O INSS não concede aposentadoria apenas pelo CID F20. É necessário que a perícia médica federal conclua que a esquizofrenia causa incapacidade funcional para o trabalho. Alguns portadores conseguem manter atividade profissional com tratamento adequado — nesses casos, outros benefícios podem ser mais indicados.

⏱️ Alienação Mental: Isenção de Carência

Normalmente, a aposentadoria por incapacidade permanente exige 12 meses de contribuição ao INSS (carência). Porém, o art. 151 da Lei nº 8.213/1991 lista doenças graves que dispensam essa exigência. A alienação mental está expressamente incluída nessa lista. A lei não cita a esquizofrenia pelo nome, mas a perícia médica do INSS pode enquadrar a esquizofrenia nessa categoria, dispensando a carência.

Isso significa que, mesmo que o segurado tenha feito apenas uma contribuição ao INSS, terá direito ao benefício se comprovar a incapacidade total e permanente por esquizofrenia. Basta ter qualidade de segurado (estar contribuindo ou dentro do período de graça) quando a incapacidade se manifestar.

💡 Quais doenças dispensam carência?

Além da alienação mental (na qual a esquizofrenia pode ser enquadrada), a lista do art. 151 contempla: tuberculose ativa, hanseníase, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível, cardiopatia grave, doença de Parkinson, esclerose múltipla, hepatopatia grave, AIDS, nefropatia grave, contaminação por radiação, espondiloartrose anquilosante e doença de Paget avançada.

💬 Tem dúvidas se você se encaixa nos requisitos?

Nosso canal está aberto para esclarecer suas dúvidas sobre este benefício.

📋 Requisitos para a Aposentadoria

Para obter a aposentadoria por incapacidade permanente sendo portador de esquizofrenia, é necessário comprovar:

  • 1.
    Qualidade de segurado: estar contribuindo ao INSS ou dentro do período de graça no momento em que a incapacidade se manifestou
  • 2.
    Incapacidade total e permanente: comprovada pela perícia médica federal — o segurado deve estar impossibilitado de exercer qualquer atividade profissional
  • 3.
    Impossibilidade de reabilitação: o INSS deve concluir que o segurado não pode ser reabilitado para outra profissão
  • 4.
    Carência dispensada: quando enquadrada como alienação mental pela perícia, não há exigência de tempo mínimo de contribuição

A importância da documentação médica

Em transtornos psiquiátricos como a esquizofrenia, a documentação médica é especialmente importante porque a incapacidade nem sempre é visível. Apresente:

  • Laudos psiquiátricos detalhados com histórico da doença
  • Avaliações neuropsicológicas (se disponíveis)
  • Relatórios de internações, se houver
  • Descrição do impacto funcional nas atividades diárias e profissionais
  • Lista de medicamentos em uso e sua eficácia
  • Relatórios de outros profissionais (psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais)

⚠️ Pré-existência

Se o segurado já tinha esquizofrenia antes de se filiar ao INSS, só terá direito ao benefício se a incapacidade decorrer de progressão ou agravamento do transtorno após a filiação (art. 26, §2º, da Lei nº 8.213/1991).

💰 Valor do Benefício

Após a Reforma da Previdência (EC nº 103/2019), a aposentadoria por incapacidade permanente segue a regra geral: 60% da média dos salários de contribuição + 2% por ano que exceder 20 anos de contribuição (homens) ou 15 anos (mulheres).

A exceção que garante 100% da média aplica-se apenas quando a incapacidade decorre de acidente de trabalho ou doença ocupacional (art. 26, §3º, da EC 103/2019). A esquizofrenia, por si só, não se enquadra nessa exceção — segue a regra geral.

SituaçãoCálculo do valor
Regra geral (inclui esquizofrenia)60% da média + 2% por ano excedente
Acidente de trabalho / doença ocupacional100% da média (integral)

Adicional de 25% (grande invalidez)

Nos casos mais graves de esquizofrenia, em que o aposentado necessita de assistência permanente de outra pessoa para atividades básicas da vida diária (alimentação, higiene, locomoção), é possível solicitar um acréscimo de 25% sobre o valor do benefício — mesmo que o total ultrapasse o teto do INSS. Esse adicional é especialmente relevante em quadros com grave perturbação da vida orgânica e social, como previsto na legislação.

Reavaliação periódica

O INSS pode reavaliar aposentados por incapacidade a cada dois anos por meio de perícia médica. A Lei nº 13.063/2014 (que alterou o art. 101 da Lei 8.213/91) prevê hipóteses de dispensa dessa reavaliação, entre elas: segurados com 60 anos ou mais, e segurados com 55 anos ou mais que estejam em benefício por incapacidade há mais de 15 anos. Fora dessas hipóteses, o portador de esquizofrenia permanece sujeito às avaliações periódicas.

⚖️ Curatela e Representação Legal

Em casos graves de esquizofrenia, em que a pessoa não tem discernimento para praticar atos da vida civil, pode ser necessário instituir uma curatela judicial. Isso é importante tanto para solicitar o benefício quanto para administrá-lo.

Formas de representação perante o INSS

  • Curador: designado judicialmente por meio de processo de interdição. Apresenta sentença judicial ao INSS para ser cadastrado como representante legal
  • Administrador provisório: enquanto o processo de curatela tramita, familiares diretos (cônjuge, filhos, pais) podem representar o segurado mediante Termo de Compromisso válido por 6 meses, renovável

O cadastro do representante legal pode ser feito pelo portal do INSS ou presencialmente em agência, apresentando a documentação necessária (sentença judicial ou Termo de Compromisso, documentos de identidade de ambas as partes).

💡 Curatela não é sempre obrigatória

Nem todo portador de esquizofrenia precisa de curador. Se a pessoa mantém discernimento suficiente para seus atos, mesmo com o diagnóstico, pode solicitar e gerir o benefício por conta própria. A curatela só é necessária em quadros com comprometimento grave da autonomia.

💬 Tem dúvidas se você se encaixa nos requisitos?

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🛡️ Outros Benefícios e Direitos

Além da aposentadoria por incapacidade permanente, portadores de esquizofrenia podem ter acesso a outros benefícios:

1. Auxílio por Incapacidade Temporária (Auxílio-Doença)

Quando a esquizofrenia causa incapacidade temporária para o trabalho (afastamento superior a 15 dias), o segurado pode receber o auxílio-doença. Também é isento de carência por ser alienação mental. É concedido enquanto durar a incapacidade, podendo ser convertido em aposentadoria se a situação se tornar permanente.

2. BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada)

Para quem nunca contribuiu ao INSS ou perdeu a qualidade de segurado, existe o BPC/LOAS — benefício assistencial no valor de um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026). Requisitos:

  • Comprovar que a esquizofrenia gera impedimentos de longo prazo à participação na sociedade
  • Renda familiar per capita de até 1/4 do salário mínimo
  • Inscrição no CadÚnico (Cadastro Único) atualizada
  • Não exige contribuição prévia ao INSS

A esquizofrenia é uma das doenças que mais frequentemente garantem o BPC/LOAS, especialmente quando o portador comprova dificuldade de inserção no mercado de trabalho e vulnerabilidade econômica.

3. Isenção de Imposto de Renda

A Lei nº 7.713/1988 garante isenção do Imposto de Renda sobre proventos de aposentadoria, pensão e reforma para portadores de alienação mental. Como a esquizofrenia é classificada nessa categoria, o aposentado por incapacidade permanente tem direito à isenção. Ela vale apenas para rendimentos de inatividade (não para salários).

BenefícioExige contribuição?ValorRequisito principal
Aposentadoria (incapacidade)Sim (sem carência)60% da média + 2%/ano excedenteIncapacidade total e permanente
Auxílio-doençaSim (sem carência)91% do salário de benefícioIncapacidade temporária (+15 dias)
BPC/LOASNãoR$ 1.621 (1 salário mínimo)Renda familiar até 1/4 do SM
Isenção de IRIsenção sobre aposentadoriaLaudo médico (alienação mental)

🚀 Como Solicitar no INSS

O processo pode ser feito pelo Meu INSS (pelo próprio segurado ou por seu representante legal):

Passo a passo

  • 1.
    Acesse o portal Meu INSS ou o aplicativo
  • 2.
    Faça login com conta Gov.br (do segurado ou do representante legal)
  • 3.
    Selecione "Novo Pedido" e digite "incapacidade"
  • 4.
    Escolha "Benefício por Incapacidade"
  • 5.
    Preencha as informações e anexe toda a documentação médica
  • 6.
    Agende e compareça à perícia médica na data indicada

Documentos necessários

  • Documento de identidade com foto e CPF do segurado
  • Laudos psiquiátricos detalhados com CID (F20 e subtipos)
  • Avaliações neuropsicológicas (se disponíveis)
  • Relatórios de internações e tratamentos realizados
  • Lista de medicamentos em uso com prescrição médica
  • Carteira de trabalho (para comprovar vínculo e contribuições)
  • Documentação do representante legal, se aplicável (sentença de curatela ou Termo de Compromisso)

✅ Dica para a perícia médica

A perícia psiquiátrica pode ser desafiadora. Se possível, leve um acompanhante (familiar ou representante legal) que possa relatar o cotidiano do segurado, as dificuldades enfrentadas e o impacto da doença na vida diária e profissional. Isso complementa a avaliação clínica do perito.

💡 Benefício negado?

Se o INSS negar o pedido, é possível entrar com recurso administrativo junto à Junta de Recursos ou buscar a via judicial. Em 2019, o TRF3 concedeu aposentadoria por invalidez com adicional de 25% a um segurado com esquizofrenia, reconhecendo a incapacidade total. Veja nosso guia sobre como recorrer quando a aposentadoria é negada. Para saber mais sobre o benefício de forma geral, consulte nosso guia sobre aposentadoria por incapacidade permanente.

❓ Perguntas Frequentes

Quem tem esquizofrenia tem direito à aposentadoria por invalidez?

Sim, desde que a perícia médica do INSS comprove que a esquizofrenia causa incapacidade total e permanente para o trabalho e que a reabilitação profissional não é possível. O diagnóstico isolado não garante automaticamente o benefício — é necessário demonstrar a incapacidade funcional.

Esquizofrenia dispensa o tempo mínimo de contribuição (carência)?

Sim. O art. 151 da Lei nº 8.213/1991 lista a alienação mental entre as doenças que dispensam carência. A esquizofrenia não é citada nominalmente na lei, mas pode ser enquadrada nessa categoria pela perícia médica, o que dispensa a carência de 12 contribuições mensais. Basta ter qualidade de segurado quando a incapacidade se manifestar.

Qual o valor da aposentadoria por invalidez para quem tem esquizofrenia?

Após a Reforma da Previdência (EC 103/2019), o valor segue a regra geral: 60% da média dos salários de contribuição + 2% por ano que exceder 20 anos (homens) ou 15 anos (mulheres). A exceção de 100% aplica-se apenas a acidente de trabalho ou doença ocupacional. Se o segurado necessitar de assistência permanente de terceiros, pode solicitar um adicional de 25%.

Quem tem esquizofrenia mas nunca contribuiu ao INSS tem algum direito?

Sim. Pode requerer o BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada), no valor de um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026), desde que comprove renda familiar per capita de até 1/4 do salário mínimo e que a esquizofrenia gere impedimentos de longo prazo. O BPC não exige contribuição prévia.

Quem tem esquizofrenia precisa de curador para solicitar a aposentadoria?

Depende. Se a pessoa tiver discernimento para praticar atos da vida civil, pode solicitar por conta própria. Se a esquizofrenia comprometer gravemente essa capacidade, um curador (nomeado judicialmente) ou um administrador provisório (familiar direto, com Termo de Compromisso válido por 6 meses) pode representá-la perante o INSS.

Portador de esquizofrenia tem isenção de Imposto de Renda?

Sim. A alienação mental está na lista de moléstias graves da Lei nº 7.713/1988, que garante isenção de IR sobre proventos de aposentadoria, pensão e reforma. A isenção vale apenas para rendimentos de inatividade — não para salários.

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📚 Fontes Oficiais e Referencias Legais

Este artigo foi baseado exclusivamente em fontes oficiais do governo brasileiro. Confira abaixo as referências utilizadas para garantir a veracidade das informações.

Importante: Sempre consulte as fontes oficiais mais recentes, pois as normas podem ser atualizadas. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui orientação jurídica especializada.

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